Túnel imerso entre Santos e Guarujá promete transformar a mobilidade da Baixada Santista, reduzir o tempo de viagem para 5 minutos e integrar modais de transporte com investimento bilionário e tecnologia já consagrada no exterior.
O primeiro túnel imerso do Brasil, que ligará Santos a Guarujá, promete transformar a mobilidade na Baixada Santista.
Com leilão marcado para 5 de setembro de 2025, o empreendimento prevê a redução do tempo de viagem entre as duas cidades de até uma hora para apenas cinco minutos.
O projeto integra diferentes modais de transporte e já conta com licença ambiental prévia emitida pela Cetesb.
-
Fake news do “Pix taxado” atrasou fiscalização, agora fintechs entram no radar da Receita após R$ 52 bilhões lavados
-
Ponte de R$ 232,8 milhões liga estados do Norte com 1.724 metros, pista de 12 m e calçadas duplas tem entrega confirmada ainda em 2025
-
Carne bovina do Brasil ganha nova rota marítima e já chega à China com crescimento de 48% nas exportações e movimentação de 32 mil contêineres em apenas 7 meses
-
O déficit recorde de julho no Brasil não se deve apenas ao desequilíbrio estrutural das contas públicas, mas principalmente ao pagamento extraordinário de R$ 60,5 bilhões em precatórios
Mobilidade integrada em um só corredor
A estrutura terá 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros submersos no canal do Porto de Santos.
O túnel contará com três faixas por sentido: duas destinadas a veículos e uma exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Além disso, haverá ciclovia, passagem de pedestres e uma galeria de serviços.
A concepção multimodal coloca a região em sintonia com soluções já adotadas em grandes centros internacionais, unindo rapidez, sustentabilidade e inclusão.
Atualmente, o deslocamento entre os dois municípios é feito principalmente por balsas, que demoram em média 18 minutos por travessia.
Apesar disso, o tempo total pode se estender devido às longas filas e às variações de operação.
Outra alternativa é o trajeto rodoviário, que pode ultrapassar uma hora em horários de maior movimento.
O túnel, ao encurtar a viagem para cinco minutos, deve beneficiar diretamente os mais de 720 mil habitantes locais e trabalhadores que circulam diariamente entre Santos e Guarujá.
Investimento bilionário e participação pública
O custo estimado da obra é de R$ 6,8 bilhões. Do total, até R$ 5,1 bilhões virão de recursos públicos, divididos igualmente entre o Governo de São Paulo e o Governo Federal.
O contrato de concessão terá duração de 30 anos e abrangerá as fases de construção, operação e manutenção do túnel.
A execução da obra será viabilizada por meio de módulos de concreto pré-moldados, técnica já consolidada em países da Europa e da Ásia para túneis submersos.
Licença ambiental e próximos passos
Em agosto de 2025, o projeto obteve a licença ambiental prévia da Cetesb, documento que atesta a viabilidade da obra e reconhece seus potenciais impactos positivos na mobilidade urbana e na sustentabilidade.
A autorização foi considerada etapa decisiva para a realização do leilão de concessão, marcado para ocorrer na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.
As propostas deverão ser entregues até 1º de setembro, às 10h, e a sessão pública acontecerá no dia 5, às 16h.
Impactos econômicos e sociais na região
Com a implantação do túnel, a expectativa é de ganhos não apenas em mobilidade, mas também no desenvolvimento econômico.
O acesso facilitado deve impulsionar o turismo e estimular a instalação de novos negócios.
Outro efeito esperado é a valorização imobiliária, tanto em Santos quanto no Guarujá, já que a ligação direta tende a ampliar a integração entre os dois municípios.
A obra também deve contribuir para a redução de emissões de gases poluentes.
Ao estimular o uso do transporte coletivo, do VLT e da bicicleta, o projeto reforça uma agenda de mobilidade sustentável, alinhada a compromissos ambientais locais e globais.
Tecnologia e segurança
A execução de túneis imersos exige alto grau de engenharia. Cada módulo de concreto será fabricado previamente, transportado até o local e posicionado no leito do canal portuário.
A técnica, considerada segura e eficiente, já é aplicada em países como Holanda, Japão e Dinamarca.
Além de acelerar o cronograma da obra, esse método minimiza impactos ambientais durante a construção.
O túnel contará ainda com sistemas modernos de monitoramento, ventilação e evacuação de emergência.
A galeria de serviços permitirá manutenção das redes de energia e telecomunicações de forma integrada, sem necessidade de grandes intervenções futuras. Esses elementos de segurança e tecnologia são apontados como diferenciais do projeto.
Expectativa da população
O atual sistema de travessia por balsas registra cerca de 28 mil viagens por dia, segundo dados do governo paulista.
As longas filas em horários de pico são uma das principais reclamações de usuários, que aguardam a obra como uma solução definitiva para o gargalo histórico da mobilidade local.
A promessa de reduzir para apenas cinco minutos um deslocamento que hoje pode ultrapassar uma hora desperta grande expectativa entre moradores e trabalhadores da região.
A obra do túnel imerso Santos–Guarujá deve marcar uma virada na mobilidade urbana brasileira. Com prazos definidos, recursos assegurados e aval ambiental, a iniciativa está pronta para sair do papel.
A pergunta que se impõe agora é: como a vida cotidiana dos moradores da Baixada Santista vai se transformar quando a travessia entre Santos e Guarujá deixar de ser um desafio diário e se tornar um percurso de poucos minutos?