Acordos para base naval da Rússia na África são confirmados e podem impactar o comércio global. Entenda a importância estratégica desse empreendimento em uma localização privilegiada.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Sudão, Ali Youssef, na última quarta-feira (12), um plano para a Rússia receber sua primeira base naval em um ponto privilegiado na África seguirá em frente, após anos de adiamentos e impasses em torno do porto militar do Mar Vermelho. Com a implementação do acordo para a base naval da Rússia na África, Moscou se junta a Washington e pequim, que possuem bases em Djibouti, mais ao sul.
Base naval da Rússia na África não terá mais obstáculos
O porto da base naval teria saída para o Mar Vermelho, um ponto privilegiado, visto que é uma das hidrovias mais importantes estrategicamente do mundo, conectando o Canal de Suez ao Oceano Índico, e por onde passam, aproximadamente, 12% do comércio global.
O anúncio aconteceu durante uma visita do chanceler sudanês, Ali Youssef Ahmed al-Sharif, a Moscou, onde esteve ao lado do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.
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Após a reunião, Sharif afirmou que os dois países estavam em completo acordo sobre o estabelecimento da base naval da Rússia na África e que não há obstáculos. Após a reunião, o ministro sudanês também afirmou que um novo acordo não era necessário, visto que houve um acordo assinado em 2020 e não há desacordo, acrescentando que só seria necessário ser ratificado por ambos os lados.
Em 2020, Sudão e Rússia fecharam um acordo que possibilitava que Moscou mantivesse até quatro navios da Marinha, incluindo os veículos movidos a energia nuclear, por um período de 25 anos no país africano.
Base naval da Rússia na África está em discussão desde 2017
A ideia da base naval em ponto privilegiado começou a ser debatida em 2017 durante o governo de Omar al-Bashir, deposto em um golpe em 2019. Líderes militares e civis do sudão, contudo, expressaram discordâncias com os termos do acordo e a guerra civil entre as Forças de Apoio Rápido paramilitares e o Exército, que teve início em abril de 2023, complicou ainda mais as relações entre a Rússia e o Sudão, à medida que mercenários russos lutaram junto dos paramilitares, enquanto o Kremlin apoiava o Exército sudanês.
Segundo organizações de ajuda humanitária, o Sudão é o cenário da pior crise humanitária do mundo, com a maior população deslocada internamente. Vale mencionar que especialistas apontam que a nova base naval da Rússia não só aliviará a pressão logística sobre as operações russas no país, mas também reforçará a presença do Kremlin em uma das rotas marítimas mais vitais do comércio global.
Segundo declarações de Youssef, a ratificação do tratado representa um reforço à soberania do país africano, que tem buscado apoio internacional para enfrentar a crise interna, enquanto equilibra interesses de segurança e econômicos.
Entenda o impacto do projeto em ponto privilegiado
A iniciativa da base naval da Rússia na África é interpretado como parte da estratégia do Kremlin de expandir sua rede de bases militares e reafirmar sua presença em pontos-chave que conectam o Mediterrâneo ao Indo-Pacífico.
Enquanto o cenário político do país africano continua cercado de disputas internas e desafios, a decisão de progredir com o projeto em ponto privilegiado pode ter impactos profundos tanto para a segurança regional quanto para o equilíbrio de poder no continente africano.
Analistas especulam que a instalação da base naval da Rússia na África pode desencadear reações do Ocidente, intensificando debates sobre a influência russa e possíveis medidas de contenção econômica e militar. Agora, o acordo aguarda trâmites finais de ratificação e deve ser acompanhado de perto por governos e organizações internacionais.
Fonte: Poder Naval