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Revelado o ‘ímã’ que atrai os mosquitos para a sua pele

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/06/2025 às 20:28
Atualizado em 30/06/2025 às 00:03
Descubra como ácidos carboxílicos atraem mosquitos, enquanto eucaliptol protege; veja estratégias práticas para reduzir picadas agora.
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Mosquitos identificam humanos pelo cheiro; ácidos carboxílicos os atraem, enquanto eucaliptol confunde o inseto, indica experimento realista na Zâmbia que mapeou 200 fêmeas de Anopheles e pode inspirar repelentes personalizados.

Pesquisadores descobriram por que alguns corpos viram verdadeiro ímã de mosquitos: altas concentrações de ácidos carboxílicos exaladas pela pele atuam como convite irresistível para o inseto.

O mesmo estudo, realizado em uma arena a céu aberto na Zâmbia e publicado em maio de 2023 na revista Current Biology, mostra que pessoas com maior presença de eucaliptol em seu odor natural tendem a escapar dessa intensa atração de mosquitos.

A descoberta amplia o entendimento de como o odor humano define riscos de picada — ponto crucial no combate à malária, doença que em 2023 causou 608 mil mortes e 249 milhões de casos no planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Laboratório sem paredes testa comportamento real

Para analisar a atração de mosquitos em condições fiéis à natureza, a equipe de Conor McMeniman, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, ergueu um “viveiro” de 20 m² coberto por tela fina.

Câmeras infravermelhas vigiavam, madrugada adentro, o zigue-zague de 200 fêmeas de Anopheles gambiae, vetor predominante da malária na África Subsaariana.

Em seis tendas próximas, voluntários dormiam isolados.

Ventiladores sugavam o ar de cada abrigo e o canalizavam para almofadas aquecidas dentro da arena — simulando pele humana fresca, quente e convidativa.

O fluxo alternava entre odor puro e odor acompanhado por dióxido de carbono (CO₂), gás que todos exalamos.

Só quando CO₂ e odor corporal se combinavam as pupilas aladas mergulhavam sobre as almofadas, indicando que a respiração funciona como farol inicial de localização, enquanto o cheiro decide o “prato principal”.

Quais substâncias fazem diferença?

O que aumenta o risco

  • Ácidos carboxílicos (butírico, isobutírico, pentanoico e equivalentes)
    Produzidos por bactérias que vivem na superfície cutânea, eles criam assinatura olfativa marcante e elevam a atração de mosquitos.
  • Transpiração ácida e microbiota desequilibrada
    Dieta rica em proteínas fermentáveis e certos desequilíbrios hormonais podem favorecer esse perfil.

O que reduz o risco

  • Eucaliptol
    Compostos presentes em manjericão, louro, alecrim, hortelã e em muitos chás liberam molécula aromática que age como cortina de fumaça.
    Voluntários com níveis mais altos desse fitonutriente sofreram até 60 % menos ataques.
  • Hábitos de higiene equilibrados e ingestão de plantas ricas em óleos essenciais
    Adicionam camadas de aroma vegetal que confundem o radar térmico-olfativo.

Por que alguns viram “ímã de mosquitos” mesmo após o banho?

Especialistas lembram que fatores genéticos, grupo sanguíneo, gravidez e até cor da roupa influenciam a atração de mosquitos.

No entanto, o “cheiro-base” — mistura de sebo, suor e microbiota — permanece ativo minutos depois do sabonete.

A microbiota recompõe rapidamente os ácidos carboxílicos, recolocando a vítima no centro do alvo.

Quem pratica exercícios noturnos ou consome álcool tende a liberar mais CO₂ e calor, reforçando o efeito ímã de mosquitos.

Impacto para a saúde pública

A malária continua a desafiar programas de controle.

Redes impregnadas com inseticida, vacinas em teste e drones que pulverizam larvicidas mostraram avanços, mas a atração de mosquitos permanece obstáculo crítico.

Ao identificar o “coquetel” químico favorito do vetor, a ciência abre portas para:

  • Repelentes personalizados que mascaram ácidos carboxílicos.
  • Cosméticos enriquecidos com eucaliptol ou substâncias análogas.
  • Sensores de vigilância que rastreiam aldeias sob maior risco pelo odor coletivo.
  • Dietas comunitárias que incluam temperos aromáticos nativos, reduzindo a população-alvo.

Estratégias imediatas ao alcance do leitor

  • Aplique repelentes à base de DEET ou icaridina antes do anoitecer.
  • Use roupas claras, longas e folgadas para minimizar a área exposta.
  • Acrescente folhas de louro e alecrim nas refeições para elevar a ingestão de eucaliptol.
  • Verifique telas de janelas e elimine focos de água parada — um simples balde esquecido pode abrigar centenas de larvas.

Como o estudo redefine futuros ensaios

Os pesquisadores defendem que arenas abertas substituam câmaras minúsculas em próximos testes de repelentes.

“A escala natural transformou nossa percepção da busca de hospedeiros”, explicou a entomologista Stephanie Rankin-Turner.

O sistema semifechado permitiu incluir vento, umidade e variações de temperatura, fatores ignorados em laboratórios tradicionais, mas cruciais para o comportamento de alto voo do Anopheles.

Essa abordagem, argumentam os autores, aproximará a ciência de intervenções eficazes em regiões onde a malária ainda mata uma criança a cada minuto.

Perguntas que ficam no ar

Como ajustar o microbioma cutâneo para diminuir a atração de mosquitos?

Quanto eucaliptol seria necessário na dieta para quebrar o efeito ímã de mosquitos em populações inteiras?

Pesquisadores já planejam testes clínicos que monitorarão voluntários suplementados com cápsulas de óleo essencial, mas resultados só devem surgir a partir de 2026.

Você já percebeu que alguns parentes são sempre mais picados no churrasco de domingo? O que acha de testar novas receitas ricas em ervas aromáticas para descobrir se a estratégia realmente funciona?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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