Descubra os principais indícios de adulteração no hodômetro de carros usados, saiba como identificar fraudes e evite cair em golpes na compra de um seminovo.
A adulteração de quilometragem figura entre as práticas ilícitas mais recorrentes no mercado de carros usados no Brasil, despertando preocupação crescente entre consumidores e órgãos de fiscalização.
O hodômetro, aparelho responsável por registrar a distância percorrida pelo veículo, tornou-se alvo de fraudes, principalmente após a popularização dos modelos digitais, que facilitam alterações nos números exibidos.
Em meio a esse cenário, identificar sinais de manipulação se mostra fundamental para evitar prejuízos financeiros e frustrações na hora de adquirir um seminovo.
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Crime e frequência de fraude na quilometragem
Fraudar a quilometragem é crime previsto no Artigo 171 do Código Penal Brasileiro, e apesar das penalidades, a prática ainda é comum.
Dados de associações do setor automotivo indicam que aproximadamente 30% dos veículos usados à venda no país apresentam indícios de alteração no hodômetro.
Este percentual reforça a necessidade de atenção redobrada durante a inspeção do automóvel, já que a adulteração pode encarecer o valor do veículo de maneira artificial e mascarar o real estado de conservação.
Como identificar a fraude: análise da média anual de uso
A primeira medida recomendada é conferir a média anual percorrida pelo brasileiro, estimada em torno de 15 mil quilômetros, conforme dados recentes de órgãos de trânsito.
Para avaliar a compatibilidade entre o número apresentado e o histórico do carro, basta comparar a quilometragem exibida no hodômetro com a data de aquisição registrada na nota fiscal da primeira venda.
Um valor muito abaixo da média nacional, especialmente em veículos com vários anos de uso, pode indicar fraude.
Vale lembrar, porém, que veículos utilizados em aplicativos de transporte, como motoristas de aplicativo, podem rodar até 10 mil quilômetros por mês, exigindo análise ainda mais criteriosa desses casos.
Histórico de revisões e consultas em concessionárias
Outro passo indispensável é a verificação do histórico de revisões.
Fabricantes estabelecem revisões obrigatórias a cada 10 mil quilômetros ou anualmente, e o registro dessas manutenções geralmente acompanha o Manual do Proprietário.
A ausência desses registros ou a incompatibilidade entre a quantidade de revisões e a quilometragem apresentada deve ser vista com cautela.
Redes autorizadas de concessionárias possuem sistemas integrados que permitem consultar, pelo número do chassi, o histórico detalhado de manutenções, incluindo datas, local e serviços realizados.
Segundo especialistas do setor, esse cruzamento de informações é uma das formas mais eficazes de detectar possíveis fraudes.
Sinais visuais de quilometragem adulterada
A análise visual também pode revelar sinais importantes.
O estado de conservação dos pneus, por exemplo, é um indicativo da real quilometragem do veículo.
Pneus originais costumam durar em média até 30 mil quilômetros, dependendo das condições de uso e do tipo de rodagem.
Um automóvel anunciado com baixa quilometragem, mas que já teve pneus trocados, merece investigação adicional.
Conferir a data de fabricação dos pneus, gravada na lateral, é um procedimento simples que pode ajudar a identificar incoerências.
Além dos pneus, o desgaste de componentes internos, como volante, alavanca de câmbio, pedais, bancos e soleiras, deve ser observado cuidadosamente.
Peças muito desgastadas em um veículo supostamente pouco rodado representam um alerta.
Detalhes como tecidos puídos, plástico esbranquiçado e marcas de uso excessivo nos comandos podem indicar que o automóvel já percorreu mais quilômetros do que informa o hodômetro.
Estado dos bancos, uso profissional e desgaste do interior
O histórico de uso do carro também pode ser revelado pelo estado de conservação dos assentos, especialmente dos bancos do carona e traseiro.
Caso estejam tão desgastados quanto o banco do motorista, é possível que o veículo tenha sido utilizado para fins profissionais, como transporte de passageiros, o que resulta em maior rodagem.
Inspeção do motor e avaliação técnica
No compartimento do motor, atenção especial deve ser dada a mangueiras, borrachas e conexões.
Fissuras, aspecto ressecado ou desgaste acentuado nessas peças podem indicar uso intenso ao longo dos anos.
Da mesma forma, o estado da suspensão, buchas, correias, pastilhas de freio e escapamento deve ser avaliado por um mecânico de confiança.
Profissionais habilitados conseguem identificar com precisão se o desgaste das peças é compatível com a quilometragem declarada.
Comandos elétricos e funcionamento geral
Outro detalhe importante diz respeito ao funcionamento dos comandos elétricos, como travas, vidros e retrovisores.
Falhas frequentes nesses itens costumam surgir após longos períodos de uso, geralmente acima dos 60 mil quilômetros.
A própria dirigibilidade, observando eventuais folgas na direção ou no câmbio, além de ruídos anormais na suspensão ao passar por irregularidades, pode denunciar quilometragem elevada ou falta de manutenção.
Portas, maçanetas e outros sinais de uso
Portas e maçanetas também merecem atenção: folgas, dificuldades no fechamento ou marcas excessivas nas dobradiças indicam desgaste superior ao que seria esperado em carros com baixa quilometragem.
Esses sinais, somados a outros indícios, formam um panorama mais completo sobre o verdadeiro histórico do veículo.
Vistoria cautelar e checagem de procedência
Para maior segurança, empresas especializadas oferecem a vistoria cautelar, um serviço realizado por peritos automotivos, cujo valor varia entre R$ 200 e R$ 500.
Essa avaliação detalhada resulta em um laudo com informações sobre a procedência, possíveis sinistros, histórico de leilão, adulteração ou clonagem, e confere se a quilometragem é condizente com o histórico do veículo.
Além disso, consultar a nota fiscal de compra e utilizar sites que pesquisam antecedentes do automóvel são práticas que contribuem para evitar golpes na compra do seminovo.
Como evitar cair em golpes de fraude na quilometragem
A prevenção de fraudes na quilometragem adulterada requer atenção a detalhes, conhecimento de procedimentos de verificação e, sempre que possível, a consulta a especialistas ou serviços técnicos.
O consumidor que observa todos esses fatores reduz significativamente os riscos de adquirir um veículo com histórico duvidoso, protegendo seu investimento e garantindo maior tranquilidade.
Diante de tantas armadilhas, quais outros cuidados você considera essenciais para não cair em golpes ao comprar um carro seminovo? Compartilhe sua opinião e experiências nos comentários.