Veja quanto custa por kWh carregar um carro elétrico em casa, o impacto da bandeira vermelha 2 e como isso se compara a eletropostos e à gasolina. Com números atualizados, fontes e exemplos reais.
A pergunta “quanto custa carregar um carro elétrico em casa?” tem uma resposta objetiva e varia conforme a tarifa por kWh, a bandeira tarifária do mês e a capacidade da bateria. Em Minas Gerais por exemplo, onde a Cemig atende a maioria dos lares, os valores oficiais por kWh estão publicados e permitem simular a sua conta de recarga com precisão.
Outro ponto decisivo é a modalidade tarifária, quem adere à Tarifa Branca e recarrega fora de ponta (madrugada e parte do dia útil) costuma pagar menos por kWh do que na modalidade convencional. A própria ANEEL explica que a Tarifa Branca tem preços diferentes por horário, ponta (mais caro), intermediário e fora de ponta (mais barato).
Em agosto e setembro de 2025, a ANEEL manteve bandeira vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 a cada 100 kWh na conta. É um adicional aplicado sobre o consumo que mexe no custo final de recarga do carro elétrico e precisa entrar no seu cálculo.
-
Entregador de aplicativo revela quanto ganha após um ano usando moto elétrica. Valeu a pena trocar a moto a gasolina pela elétrica? Confira
-
Esse CEO não quer carros elétricos com autonomia de 800 km: a chave está “entre 500 e 600 km”
-
O segredo do carro elétrico que rompeu a barreira dos 470 km/h e bateu recorde mundial
-
Carros elétricos no DF disparam 9.455% em cinco anos e especialista alertam para o risco de apagões
Vale lembrar que preços mudam por região e distribuidora, os números abaixo tomam Minas Gerais (Cemig) como referência, por ser um dos polos da eletromobilidade no país, e são úteis como baliza para outras regiões do Brasil.
Quanto custa carregar carro elétrico em casa (Cemig/MG)
Na “Tarifa Branca – fora de ponta”, a tabela pública da Cemig indica R$ 0,70933/kWh com bandeira verde e R$ 0,78810/kWh com bandeira vermelha 2 (valores “antes de impostos”). Esses preços decorrem do reajuste homologado pela ANEEL válido de 28/05/2025 a 27/05/2026. Tradução prática: carregar à noite é mais barato.
Exemplo 1 — bateria de 63 kWh (vazia a cheia):
• Fora de ponta (bandeira verde): 63 × 0,70933 = R$ 44,69 (antes de impostos).
• Fora de ponta (vermelha 2): 63 × 0,78810 = R$ 49,65 (antes de impostos).
Se você estiver na modalidade convencional (sem Tarifa Branca), a base econômica soma TUSD 541,30 + TE 317,28 = R$ 0,85858/kWh (verde) e vai a ~R$ 0,937/kWh com a bandeira vermelha 2 — daí uma recarga completa sair próxima de R$ 59,05 (antes de impostos).
Exemplo 2 — bateria de 44,9 kWh:
• Fora de ponta (bandeira verde): 44,9 × 0,70933 = R$ 31,85.
• Fora de ponta (vermelha 2): 44,9 × 0,78810 = R$ 35,39.
• Convencional (vermelha 2): 44,9 × 0,93728 ≈ R$ 42,08 (antes de impostos). Moral da história: programar a recarga fora de ponta reduz a conta de luz de forma consistente.
Eletroposto (carregador público), preço por kWh e quando compensa
Nos eletropostos pagos, a faixa típica de preço no Brasil gira entre R$ 1,50 e R$ 2,10/kWh, a depender da potência e da rede de recarga — valor bem acima do kWh residencial fora de ponta. Em julho de 2025, matérias e guias de mercado reportaram esses patamares em redes como Tupinambá e Shell Recharge.
Em lançamentos recentes, como o hub da EZ Volt no RJ, a tarifa ficou em R$ 2,50/kWh (rápida DC) e R$ 2,07/kWh (lenta/AC). Ou seja, conveniência e velocidade custam mais — úteis em viagem, mas pesam no bolso se forem rotina.
Comparativo por 100 km (consumo médio de 15 kWh/100 km):
• Em casa fora de ponta (verde): 15 × 0,70933 ≈ R$ 10,64/100 km.
• Em casa fora de ponta (vermelha 2): 15 × 0,78810 ≈ R$ 11,82/100 km.
• Eletroposto a R$ 1,80/kWh (exemplo): R$ 27,00/100 km; a R$ 2,50/kWh, R$ 37,50/100 km.
O consumo de 15 kWh/100 km é um parâmetro de mercado citado em materiais técnicos e comparativos internacionais.
Carro elétrico vs gasolina, custo por km com preço ANP
Na gasolina, o preço médio nacional na semana de 17–23/08/2025 ficou em R$ 6,19/l. Se o carro faz 12 km/l, cada 100 km consomem 8,33 l, o que dá ~R$ 51,58/100 km — 4 a 5 vezes mais do que o elétrico carregado em casa fora de ponta.
Resumo: mesmo com bandeira vermelha 2, o elétrico continua mais barato por km no uso diário.
Crescimento do carro elétrico e infraestrutura: o cenário no Brasil
As vendas de eletrificados (BEV, PHEV, HEV e HEV Flex) seguem em alta em 2025; a ABVE aponta participação consolidada na faixa de 8% e avanço mês a mês — com o Sudeste mantendo ~46–47% dos emplacamentos, sinal de adoção mais rápida onde a renda e a infraestrutura também crescem.
A infraestrutura de recarga também avança. Em fevereiro de 2025, o Brasil já contava com 14.827 pontos de recarga públicos e semipúblicos, contra 350 no fim de 2020 — um salto que melhora a viabilidade de viagens e reduz a ansiedade de autonomia.
Como pagar menos para carregar um carro elétrico: Tarifa Branca, bandeiras e eficiência de recarga
Se você tem disponibilidade para carregar à noite e em fins de semana, a Tarifa Branca tende a render kWh mais barato; nos dias úteis, os horários fora de ponta têm tarifa inferior à convencional, explica a ANEEL. Configure o timer do carro ou do wallbox para a madrugada e colha a diferença.
Fique de olho nas bandeiras tarifárias, com vermelha 2 vigente, o adicional é de R$ 7,87/100 kWh — incluí-lo no cálculo impede surpresas na fatura. Exemplo rápido: 200 kWh no mês somam R$ 15,74 só de bandeira.
Por fim, considere as perdas de carregamento, em casa, com wallbox, testes práticos mostram perdas em torno de 5–10%, menores que na tomada comum. Tradução: se a bateria “ganhou” 40 kWh, a rede pode ter entregue ~44 kWh. Planeje sua conta usando um pequeno adicional técnico.