Poeira do Saara atinge a Amazônia com intensidade cinco vezes maior. Partículas ricas em nutrientes podem afetar o solo e o clima da floresta.
A viagem das partículas começa no deserto do Saara, na África, e percorre mais de 5 mil quilômetros pelo Oceano Atlântico até alcançar a floresta. Esse transporte é impulsionado por ventos da Zona de Convergência Intertropical, e costuma durar de uma a duas semanas. A poeira mineral, rica em nutrientes, pode influenciar diretamente a fertilidade do solo amazônico, tradicionalmente pobre em fósforo e potássio.
Concentração de poeira cinco vezes acima do normal
Durante os eventos registrados em 2025, a concentração média de poeira do Saara na atmosfera amazônica atingiu entre 15 e 20 μg/m³, quando o esperado para o período seria de apenas 4 μg/m³.
Os três episódios ocorreram entre 13 e 18 de janeiro, 31 de janeiro e 3 de fevereiro, e novamente entre 26 de fevereiro e 3 de março.
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Os dados foram colhidos por sensores do Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), uma torre de 325 metros equipada para monitorar a floresta 24 horas por dia.
Em comunicado, Rafael Valiati, doutorando do Instituto de Física da USP e um dos responsáveis pelo monitoramento, revelou que “a intensidade desses episódios é bastante variável na Amazônia, pois depende da quantidade de poeira lançada na atmosfera no Saara, da velocidade do vento ao longo do transporte, e, principalmente, da precipitação, pois a chuva remove as partículas da atmosfera”.
Como a poeira do Saara pode afetar a Amazônia?
Apesar de parecer um fenômeno estranho à floresta, a poeira do Saara tem papel importante na dinâmica da Amazônia.
A composição mineral do material transportado contém fósforo e potássio, elementos fundamentais para a fertilização natural do solo amazônico, que é naturalmente pobre em nutrientes.
Carlos Alberto Quesada, coordenador do ATTO pelo lado brasileiro, afirma que o impacto positivo pode ser sentido a longo prazo.
“O que já se sabe é que o potássio e o fósforo da poeira mineral contribuem, no longo prazo, para a manutenção da fertilidade do solo, que em geral é muito pobre”, explicou.
Embora os efeitos benéficos sejam conhecidos, os pesquisadores agora querem entender o impacto real de volumes tão elevados de poeira do Saara sobre a saúde da floresta.
O aumento repentino de partículas na atmosfera pode também ter efeitos sobre a qualidade do ar e a luz solar que chega ao solo.
Por isso, o ATTO segue monitorando a chegada dessas partículas e como elas interagem com a atmosfera, o solo e os ciclos da floresta amazônica.
A iniciativa conta com a parceria de pesquisadores brasileiros e internacionais.
Amazônia e Saara: dois extremos que se conectam pelo vento
A ligação entre dois dos maiores biomas do planeta — o deserto do Saara e a floresta Amazônica — mostra como o clima da Terra está profundamente interligado.
Esse fenômeno de transporte de poeira, apesar de natural, vem sendo cada vez mais estudado diante das mudanças climáticas globais.
Com o avanço da ciência e do monitoramento em tempo real, será possível entender melhor como essas conexões afetam o meio ambiente e até mesmo a produção de alimentos e a qualidade de vida das populações próximas.
Com informações do Olhar Digital.