A Petrobras não tem interesse em desenvolver projetos de construção de plataformas no Brasil. O apoio da estatal à indústria naval se voltará para projetos de descomissionamento e fabricação de módulos.
Os planos da Petrobras para o futuro da indústria naval nacional não incluem novos projetos de construção de plataformas. A informação foi dada pelo diretor-executivo de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Carlos Travassos, que destacou o interesse da estatal em projetos de descomissionamento e construção de módulos para impulsionar o setor. Apesar do Governo Federal ter o interesse de expandir o segmento no país, algumas etapas, como a fabricação de cascos, ainda enfrentam problemas logísticos.
Projetos de construção de novas plataformas não estão incluídos no plano de impulsionamento da indústria naval da Petrobras
A Petrobras anunciou que ajudará a revitalizar a indústria de construção naval do Brasil, com contratos para descomissionar plataformas antigas ou fabricar módulos para novas embarcações, mas não para construir plataformas inteiras.
O diretor-executivo de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Carlos Travassos, explicou que a empresa vê limitações para trazer trabalhos como a construção do casco para o Brasil, já que é normalmente feito na Ásia.
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Apesar do presidente Lula ter a construção naval como um dos principais pilares para a geração de empregos em seus governos, desde 2002, a construção de novas plataformas enfrenta problemas logísticos no país, como a fabricação de cascos.
“A indústria (naval) brasileira precisa apostar em suas vocações”, comentou Travassos em relação ao processo.
A construção dos cascos dessas plataformas é altamente customizada e qualquer país levaria anos na curva de aprendizagem antes de estabelecer uma linha de produção estável, reforçou o especialista.
Essa é uma questão que, possivelmente, atrasaria a entrega dos projetos da indústria naval, além de elevar de forma excessiva os custos para a construção das plataformas.
Além disso, isso também adiaria os planos da empresa de aumentar sua produção em projetos liderados por ela em quase um quarto, para 4,7 milhões de barris por dia de petróleo e gás em 2027.
Estratégias da Petrobras para o setor naval têm sido alvo de críticas por sindicalistas. Governo Lula é pressionado em relação ao cenário atual
A estratégia de construção naval da Petrobras tem sido motivo de polêmica e pressão por parte de sindicatos e do governo para aumentar a geração de empregos no Brasil.
O ex-presidente Lula, em seus dois primeiros mandatos, utilizou a estatal para gerar empregos e impulsionar a economia do país, mas a estratégia não foi isenta de críticas.
Os sindicatos de metalúrgicos e da indústria naval apoiaram a eleição de Lula e agora pressionam o governo para rever o processo de contratação da Petrobras, aumentando as encomendas no Brasil.
Eles criticam o sistema de contratações concentrado em apenas três estaleiros, sendo dois deles do mesmo grupo asiático.
“Vemos uma oportunidade muito boa para o mercado (naval) brasileiro, mas não é em casco de FPSO. Vemos em módulo, onde tem muita tecnologia abarcada”, comentou Travassos.
Para ele, a construção de módulos e o descomissionamento de plataformas são estratégias viáveis no cenário nacional.
O especialista acredita que o Brasil conseguirá expandir os projetos da indústria naval com a construção de módulos, sem competir com outros grandes players na construção de cascos, como a China.
Em resumo, a estratégia de construção naval da Petrobras tem sido um desafio para a disposição de Lula de utilizar a estatal para gerar empregos no país.
Agora, cabe à Petrobras seguir com alternativas para impulsionar o mercado da indústria naval brasileira, sem se render à construção de plataformas.

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