Conheça a trajetória da Malves, fabricante de tratores Malves e máquinas pesadas de Piracicaba que ousou desafiar gigantes, mas sucumbiu a uma crise exacerbada por um banco.
A Malves foi uma das maiores apostas da indústria nacional de tratores e máquinas pesadas. Surgida em São Paulo, a empresa rapidamente ganhou destaque, chegando a exportar para África e América Latina, tornando-se um orgulho brasileiro. No entanto, sua trajetória de crescimento foi abruptamente interrompida.
Este artigo mergulha na história dos tratores Malves, desde a visão de seu fundador em um Brasil em industrialização até seu desaparecimento. Exploraremos como a empresa inovou, cresceu e, por fim, enfrentou uma crise fatal, onde o Banco Itaú é apontado como um dos responsáveis pelo seu fim.
O nascimento dos tratores Malves em Piracicaba
Nos anos 1940 e 1950, o Brasil era predominantemente rural, com a industrialização apenas começando. Governos como o de Getúlio Vargas (com o BNDE, hoje BNDES) e Juscelino Kubitschek incentivaram a indústria nacional e a infraestrutura. Nesse cenário de otimismo e modernização, na capital de São Paulo e região, já com tradição agrícola e industrial, tornou-se um terreno fértil para novas fábricas.
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Foi nesse contexto que Manuel Ferreira da Veiga Alves, nos anos 50, enxergou uma oportunidade. O Brasil dependia de máquinas pesadas importadas, caras e de difícil manutenção. Antes mesmo de fundar a Malves, Manuel já adaptava tratores agrícolas ingleses David Brown, transformando-os em niveladoras artesanais que funcionavam bem e chamavam a atenção.
Os primeiros sucessos e a nacionalização dos tratores Malves
Em agosto de 1960, nascia oficialmente a Malves Comércio e Indústria de Máquinas Ltda. Manuel sabia que precisava criar algo próprio e investiu na inovação, trocando o sistema mecânico pesado das lâminas das niveladoras por um comando hidráulico, tornando as máquinas mais fáceis de operar e eficientes. Quando os tratores David Brown pararam de ser fabricados, a Malves buscou soluções na Romênia, importando e estudando máquinas do leste europeu.
Dessa pesquisa nasceu, em 1962, a motoniveladora UD5, o primeiro equipamento com marca própria da Malves, vendendo 120 unidades em quatro anos. Em 1964, veio a UD80, com mais componentes nacionais, motor Mercedes-Benz de 80cv e câmbio de cinco marchas, vendendo cerca de 100 unidades e consolidando a Malves como uma marca brasileira de respeito.
No auge da produção
A Malves continuou sua trajetória de nacionalização e inovação. Em 1969, lançou a MD100, sua primeira motoniveladora 100% brasileira, com motor Mercedes-Benz de 105cv e câmbio de oito marchas reversíveis. Dois anos depois, apresentou a MD120, mais potente, com 120 cavalos. Essas máquinas robustas marcaram presença em grandes obras pelo país.
No mesmo ano de 1969, a empresa entrou no mercado de tratores de esteiras com o MD850. Este trator pesado, com motor Mercedes-Benz e alta nacionalização, vendeu 200 unidades em menos de um ano. Apesar de o governo ter preterido a Malves em um programa de incentivo, a empresa não recuou, e em 1972 já era a terceira maior exportadora de máquinas do Brasil, com os tratores Malves cruzando fronteiras pela América Latina e África.
Como problemas financeiros e um conflito bancário levaram ao fim dos tratores Malves
A Malves planejava expandir ainda mais, com o trator de esteiras MD1800, empilhadeiras industriais (em parceria com a Bulgária e fábrica em Campinas) e protótipos de escavadeiras. Lançou também o trator menor MD700 e o potente MD2100, com motor Cummins. No entanto, os custos de produção subiam, a inflação era alta, e as multinacionais chegavam com força, oferecendo máquinas mais modernas e econômicas.
Em 1974, um golpe abalou a empresa: o Banco União Comercial, seu parceiro, foi comprado pelo Banco Itaú. O Itaú acusou a Malves de irregularidades, rompeu contratos, bloqueou contas e travou a importação de peças essenciais da Romênia e Bulgária, paralisando a produção. A Malves estimava perdas de 10 milhões de dólares por mês, tornando a situação insustentável.
Uma história de ousadia e saudade na indústria nacional
Apesar das tentativas da Malves de provar sua regularidade e negociar, a crise se agravou. Em 1978, a empresa tentou devolver tratores à Romênia para abater dívidas, mas o Itaú barrou a operação novamente. Com salários atrasados e contratos rompidos, a Malves pediu concordata preventiva em abril de 1978. As brigas judiciais com o Itaú, que a Malves acusava de reter ações que poderiam salvar a empresa, e o bloqueio de contas levaram à falência, decretada em janeiro de 1982.
Piracicaba sentiu o impacto, e os galpões da Malves silenciaram. No entanto, muitos tratores Malves resistiram ao tempo e ainda rodam pelo Brasil, como um lembrete de uma época em que a indústria nacional ousou sonhar grande e competir no mercado de máquinas pesadas. A história dos tratores Malves é uma marca de inovação, crescimento e uma crise que deixou saudades.
Parabéns pelo relato da história, aqui em coronel João Sá Bahia,na fazenda de minha família, existe um em pleno funcionamento até hoje, muito valente não quebra.
Zé Carlos
O sistema financeiro é o câncer do Brasil. Não importa se privado ou público, no começo, até parece que o dinheiro emprestado por eles nos auxilia, mas com o tempo, nos tornamos reféns deles. Por isso aconselho qualquer pessoa que queira empreender no Brasil, a ficar longe dos bancos. Por experiência própria, eu nunca mais vou entrar num banco pra pedir dinheiro.
Foi assim, Malves,Gurgel..governo não apoia empresa nacional e deixa tudo acabar..Brasil mostrando sua cara!kkkkkkkk