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Obra promete transformar uma das rotas mais estratégicas do Brasil, mas esbarra em novo aumento de custo e levanta alerta sobre os R$ 124 milhões

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/08/2025 às 19:25
Obra da BR-419/MS tem custo reajustado para R$ 124 milhões. Projeto é estratégico para a Rota Bioceânica e segue até 2026.
Obra da BR-419/MS tem custo reajustado para R$ 124 milhões. Projeto é estratégico para a Rota Bioceânica e segue até 2026.
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Reajuste no contrato da BR-419/MS eleva valor para mais de R$ 124 milhões e prolonga prazo até 2026, enquanto governo e Dnit projetam impacto direto na Rota Bioceânica e aguardam conclusão de ponte internacional.

A Superintendência Regional do Dnit em Mato Grosso do Sul aprovou um reajuste que eleva o contrato da BR-419/MS de R$ 119.540.000 para R$ 124.334.666, um acréscimo de 4,01%.

O extrato publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira (25) informa ainda que a vigência do novo acordo segue até 19 de agosto de 2026.

Segundo o órgão, a revisão abrange adequação de quantitativos, inclusão de novos itens e aumento a preços iniciais.

Enquanto o aditivo busca ajustar o escopo técnico, o impacto financeiro acende um alerta sobre a obra apontada como estratégica para encurtar o acesso brasileiro à Rota Bioceânica.

O Campo Grande News questionou o Dnit sobre quais itens foram incluídos e aguarda resposta.

Reajuste e escopo da BR-419

De acordo com o que foi divulgado, esta é a primeira revisão formal do projeto em execução.

O documento cita a necessidade de ajustar medições e inserir serviços não previstos inicialmente, justificativa comum em contratos de infraestrutura quando se atualizam quantitativos.

Não há, porém, detalhamento público dos itens acrescidos e de seus custos unitários, informação que o Dnit ainda não disponibilizou.

No cronograma, a extensão da vigência até agosto de 2026 mantém a janela de execução em linha com a prioridade do governo federal para a malha rodoviária do Centro-Oeste.

A próxima atualização dependerá do retorno do Dnit com o descritivo do aditivo.

Obra da BR-419/MS tem custo reajustado para R$ 124 milhões. Projeto é estratégico para a Rota Bioceânica e segue até 2026.
Obra da BR-419/MS tem custo reajustado para R$ 124 milhões. Projeto é estratégico para a Rota Bioceânica e segue até 2026.

Divisão em lotes e extensão da obra

O projeto da BR-419 foi dividido em lotes. O primeiro trecho prevê 52 quilômetros de pavimentação entre Rio Verde e Rio Negro.

Outro lote, de 55,5 quilômetros, liga Aquidauana ao rio Taboco. Os outros dois lotes somam 127 quilômetros, completando o corredor planejado.

Em julho, o governador Eduardo Riedel (PSDB) esteve em Brasília com o ministro dos Transportes em exercício, George Santoro, para tratar da continuidade das frentes de obra.

Na ocasião, Riedel afirmou: “O quarto lote da obra segue em execução de Aquidauana para a Região Norte, com expectativa de terminar a obra este ano ou no início de 2026. Em seguida, os lotes dois e três seguem para licitação”.

A declaração indica que o governo estadual trabalha com duas fases paralelas: concluir o que já está no chão e acelerar a contratação dos trechos intermediários.

Conexão da BR-419 com a Rota Bioceânica

A BR-419 é apresentada pelo Governo do Estado como eixo que reduzirá em 100 quilômetros a distância da região Norte de Mato Grosso do Sul até o corredor logístico da Rota Bioceânica.

Na prática, o encurtamento pretende diminuir tempo de viagem, custos de transporte e pressão sobre trechos sobrecarregados da malha estadual, integrando municípios do Pantanal ao fluxo internacional de cargas.

Esse efeito, se confirmado, depende de três fatores convergentes: conclusão dos lotes com padrão de pavimento definitivo, operação plena dos acessos e sincronização com as obras transfronteiriças.

O aditivo recém-publicado, ao reforçar recursos para a rodovia, mira o primeiro desses pilares.

Obra da BR-419/MS tem custo reajustado para R$ 124 milhões. Projeto é estratégico para a Rota Bioceânica e segue até 2026.
Obra da BR-419/MS tem custo reajustado para R$ 124 milhões. Projeto é estratégico para a Rota Bioceânica e segue até 2026.

Ponte internacional e obras de acesso

Em paralelo, a Ponte Internacional da Rota Bioceânica — ligação de Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai) — está 75% executada, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2026.

A estimativa mantém a ponte no mesmo horizonte de vigência do contrato da BR-419, o que é relevante para alinhar prazos e liberar a rota sem gargalos.

Do lado brasileiro, as obras de acesso à estrutura somam cerca de 13 quilômetros e também têm entrega estimada até o fim de 2026.

A compatibilização desses trechos é essencial para que a ponte opere com capacidade plena desde a inauguração e para que a redução de trajetos anunciada pela gestão estadual se materialize em rotas contínuas e seguras.

Custos, transparência e próximos passos

O reajuste de R$ 4,7 milhões corresponde, matematicamente, aos 4,01% informados pelo Dnit.

Em obras rodoviárias, aumentos dessa ordem costumam decorrer de reequilíbrio por variação de quantitativos, inclusão de serviços complementares ou adequações técnicas construídas ao longo da execução.

Ainda assim, a ausência do detalhamento do aditivo impede avaliar, ponto a ponto, como cada item pressionou o total do contrato.

Por ora, o que se sabe oficialmente é que o contrato está vigente até 19 de agosto de 2026, que o quarto lote segue em execução com meta de término entre o fim deste ano e o início de 2026, e que os lotes dois e três aguardam licitação.

Também se sabe que a ponte avança em ritmo considerado elevado e que os acessos nacionais precisam acompanhar o cronograma para evitar descompasso na entrega do corredor.

Além da execução física, outro aspecto decisivo é a atualização tempestiva de cronogramas e escopos.

Sem transparência sobre as inclusões técnicas do aditivo, torna-se difícil aferir, por exemplo, se os novos itens têm caráter corretivo (para resolver imprevistos do traçado) ou aprimoramento (para elevar padrão de segurança e durabilidade).

O Dnit foi formalmente questionado e, assim que responder, será possível dimensionar com precisão onde está cada centavo do novo montante.

Impacto regional da obra e desafios

A expectativa do governo sul-mato-grossense é que a BR-419, ao encurtar 100 quilômetros até o eixo bioceânico, redistribua fluxos e reforce a competitividade de polos produtivos do interior.

Ganhos desse tipo dependem não só da quilometragem entregue, mas da qualidade do pavimento, da sinalização e das condições de manutenção na fase pós-obra.

A pavimentação entre Rio Verde e Rio Negro, somada ao avanço entre Aquidauana e o rio Taboco, forma a espinha dorsal desse benefício esperado.

Por outro lado, a coordenação entre diferentes níveis de governo e cronogramas distintos continua sendo um teste.

A sincronização entre a conclusão dos lotes internos, a liberação da ponte e a finalização dos 13 quilômetros de acesso é o que vai determinar se a economia de tempo e custo entrará em vigor imediatamente ou de forma gradual.

Sem extrapolar o que está documentado, o que esses marcos mostram é um empreendimento de grande escala, com frentes simultâneas e ajustes contratuais dentro do ciclo de obra.

A atenção agora se volta ao detalhamento do aditivo e ao calendário de licitações dos lotes dois e três, que completam o corredor.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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