Muitos motoristas esquecem, mas a manutenção deste fluido é vital para o bom funcionamento da transmissão e para evitar reparos que podem custar muito caro. Saiba quando e como fazer.
Todos sabem a hora de trocar o óleo do motor. O painel avisa, o mecânico reforça e até o frentista pergunta. Contudo, o mesmo não ocorre com o óleo do câmbio automático, um fluido igualmente essencial, mas muito menos lembrado. O perigo mora no silêncio: este fluido não gera alertas diretos e, quando os problemas aparecem, o dano já está avançado. Entenda os sinais e a importância de realizar a troca no momento certo.
Por que a troca do óleo da transmissão é essencial?
Poucas pessoas sabem, mas o fluido da transmissão automática tem múltiplas funções. Ele vai muito além da simples lubrificação. Segundo o professor Dr. Sérgio Rabelo, da Escola de Engenharia Mackenzie, “esse fluido é essencial para o funcionamento correto da transmissão”. Ele atua sob altas pressões e temperaturas, precisando manter suas propriedades ao longo do tempo.
As principais funções do óleo do câmbio automático incluem lubrificar componentes internos como engrenagens e eixos, refrigerar a transmissão para dissipar o calor, transmitir força hidráulica para o acionamento das marchas, carregar impurezas e partículas metálicas para o filtro e manter a estabilidade química para resistir à oxidação.
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Com o tempo, o calor e a fricção degradam o fluido. Seus aditivos são consumidos. José Cesário Neto, especialista da Mobil, explica que “o óleo perde viscosidade, deixa de lubrificar corretamente e pode gerar falhas graves no câmbio”. O tempo também é um fator crucial. Mesmo em carros com baixa quilometragem, a troca é recomendada após cinco ou seis anos, pois, como reforça o professor Rabelo, “nenhum fluido é eterno”.
O manual e o bom senso: quando realizar a troca?
Não existe uma quilometragem padrão para a troca. Cada fabricante define um prazo. “Muitos manuais falam em 80 mil a 120 mil quilômetros, mas também existem casos em que o intervalo é menor, especialmente em veículos equipados com câmbio CVT ou submetidos a uso severo”, explica José Cesário Neto.
A recomendação mais segura é a prevenção. Se o manual indica a troca com 80 mil quilômetros, vale a pena antecipar para 50 mil quilômetros ou cinco anos, principalmente se o veículo enfrenta trânsito intenso, puxa reboque ou roda em climas quentes. O professor Rabelo alerta: “Mesmo que a quilometragem ainda esteja abaixo do indicado, o tempo também é um fator crítico.”
Sinais de alerta: como saber se o óleo do câmbio pede socorro?
O comportamento do carro pode denunciar a necessidade da troca. Fique atento a estes sinais, como a demora para engatar as posições “D” (Drive) ou “R” (Ré), solavancos e trancos durante as trocas de marcha, o aumento excessivo da rotação do motor antes da mudança de marcha ou ruídos estranhos vindos da transmissão.
“Se o fluido perdeu suas propriedades, o sistema perde precisão hidráulica. E aí surgem os trancos, a patinação das marchas e o desgaste prematuro”, resume Cesário. O cheiro e a cor do fluido também são indicadores. Segundo Rabelo, se o óleo estiver escurecido, opaco ou com cheiro de queimado, a substituição não deve ser adiada.
Cada câmbio, um cuidado: os diferentes tipos de fluido e manutenção
O tipo de transmissão influencia diretamente na manutenção. Em câmbios automáticos convencionais, a troca completa com máquina é mais eficaz, pois a drenagem simples remove apenas de 30% a 40% do fluido usado. Para este tipo de câmbio, que usa fluido ATF, o intervalo de troca varia de 60.000 a 120.000 km e, mesmo que o manual o chame de “vitalício”, a troca é recomendada após 8 a 10 anos.
Já nos câmbios CVT, a exigência é ainda maior, necessitando de um fluido específico. “Usar o óleo errado aqui pode arruinar a transmissão em pouco tempo”, ressalta o professor Rabelo. O intervalo de troca é mais frequente, geralmente entre 40.000 e 80.000 km, devendo ser reduzido em caso de uso severo.
Para os câmbios automatizados de embreagem simples, é preciso verificar dois tipos de fluido: um hidráulico e outro convencional de câmbio. A troca deve ocorrer entre 80.000 e 100.000 km, seguindo o plano de manutenção.
Nos modelos com dupla embreagem úmida, o fluido DCT específico também lubrifica as embreagens, tornando sua troca fundamental para a durabilidade. O intervalo recomendado é de 60.000 a 80.000 km. Por fim, nos de dupla embreagem seca, o fluido é apenas para as engrenagens e o intervalo é maior, a partir de 100.000 km, mas a troca do óleo da caixa ainda é importante.
O mito do “óleo vitalício”: entenda o que isso realmente significa
Muitos acreditam na ideia do “óleo que não precisa ser trocado”, mas isso é um equívoco. O termo “vitalício” significa que o fluido foi projetado para durar a vida útil esperada do veículo, que, segundo Rabelo, gira em torno de oito a dez anos ou entre 100 mil e 150 mil quilômetros.
A questão é: você pretende manter o carro por mais tempo? Como conclui Cesário, “trocar o fluido preventivamente é muito mais barato do que encarar uma troca de câmbio”.
A troca do óleo do câmbio automático é uma manutenção preventiva que garante a durabilidade da transmissão. Ignorá-la pode levar a reparos extremamente caros. “Já vi casos de câmbio queimado que custaram R$ 40 mil para consertar. Isso poderia ter sido evitado com uma troca de fluido de R$ 800”, relata Cesário. A dica final é clara: siga o manual, mas use o bom senso. E, acima de tudo, nunca use um fluido que não seja o especificado para o seu carro.