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Nova análise revela possível reservatório de água subterrânea em Marte com 3,7 km de profundidade — volume suficiente para cobrir todo o planeta com mais de 2 metros de água

Publicado em 02/04/2025 às 00:07
Água em Marte, Reservatório de água, Marte
Imagem: Pixabay

Uma nova análise científica indica que Marte pode esconder um gigantesco reservatório subterrâneo de água. Segundo os pesquisadores, o volume seria suficiente para cobrir toda a superfície com mais de dois metros de água

Uma nova descoberta em Marte está chamando a atenção de cientistas de todo o mundo. Sob a Formação Medusae Fossae (MFF), uma vasta área perto do equador do planeta, pode estar escondido o maior reservatório de água subterrânea já identificado nessa região do Planeta Vermelho.

Com dados atualizados do radar MARSIS, da missão Mars Express, os pesquisadores encontraram sinais que sugerem um depósito rico em gelo com profundidade de até 3,7 quilômetros. Se confirmado, o reservatório de água seria comparável ao do Mar Vermelho, aqui na Terra.

Reservatório de água em Marte: Descoberta surpreende cientistas

O estudo foi liderado por Thomas Watters, da Smithsonian Institution. “Exploramos o MFF novamente usando dados mais recentes do radar MARSIS da Mars Express e descobrimos que os depósitos são ainda mais espessos do que pensávamos”, afirmou.

O mais emocionante é que os sinais do radar correspondem ao que esperaríamos de gelo em camadas, semelhante às calotas polares conhecidas de Marte“, concluiu.

A presença de tanto gelo nesta formação pode mudar como se compreende o ambiente marciano. Segundo os cientistas, se esse reservatório de água congelada fosse derretido, ele teria o potencial de cobrir todo o planeta com mais de dois metros de água.

Um enigma geológico cada vez mais complexo

A Formação Medusae Fossae já era motivo de debate há anos. Ela se estende por centenas de quilômetros e, em alguns pontos, ultrapassa um quilômetro de altura. Localizada entre as terras altas do sul e as baixas do norte, sua origem sempre intrigou especialistas.

Teorias antigas apontavam que a MFF poderia ser feita de poeira acumulada por ventos, cinzas vulcânicas ou sedimentos diversos. As primeiras medições do radar já indicavam sinais incomuns, como estrutura transparente e baixa densidade, o que levantava suspeitas sobre a presença de gelo.

Agora, com essa nova análise, a hipótese do gelo subterrâneo ganhou força. O estudo também sugere que esses depósitos são antigos e que influenciam o clima marciano há milhões de anos, ajudando a moldar a atmosfera e a superfície.

Um possível recurso para missões humanas

Os polos de Marte contêm gelo, mas são regiões de difícil acesso para pousos humanos, devido ao terreno acidentado e dos desafios relacionados à energia. Por isso, encontrar gelo perto do equador pode representar uma vantagem estratégica importante.

A água poderia ser usada de várias formas: para consumo humano, produção de oxigênio e até geração de combustível. Isso reduziria a necessidade de levar tantos suprimentos da Terra, tornando missões mais viáveis.

Mesmo enterrados sob camadas espessas de poeira, os depósitos da MFF despertam interesse. Colin Wilson, cientista da ESA envolvido no projeto, explica que essa descoberta levanta novas perguntas.

Há quanto tempo esses depósitos de gelo se formaram, e como era Marte naquela época? Se confirmados como gelo de água, esses depósitos massivos mudariam nossa compreensão da história climática de Marte. Qualquer reservatório de água antiga seria um alvo fascinante para exploração humana ou robótica“, disse Wilson.

Janelas para o passado de Marte

Além do interesse prático, o achado pode revelar detalhes sobre a história do planeta vermelho. A presença de gelo em regiões equatoriais profundas indica que Marte já teve um ambiente muito diferente. Mais úmido, talvez mais ativo.

Os cientistas acreditam que, por estarem protegidas por camadas de poeira ou cinzas, essas reservas de gelo podem ter preservado pistas sobre o passado marciano. Isso inclui informações sobre o clima, a água e até possíveis condições para vida em algum momento remoto.

O estudo mostra que, mesmo sem acesso direto, cada nova descoberta ajuda a montar o quebra-cabeça do planeta. E reforça o papel da MFF como um dos pontos mais importantes de interesse científico em Marte.

Segundo os dados analisados, se todo o gelo da MFF fosse derretido, ele teria o potencial de cobrir Marte inteiro com uma camada de mais de dois metros de água.

Com informações de Interesting Engineering.

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