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A gigante chinesa de energia eólica Windey inaugura centro de pesquisa em Salvador para desenvolver torres eólicas compactas e superbaterias

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 27/07/2025 às 18:47
Atualizado em 29/07/2025 às 14:05
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Bahia recebe centro de inovação energética da Windey Energy, terceira maior fabricante de turbinas eólicas do mundo

A Bahia deu mais um passo importante para se consolidar como referência em energia limpa e inovação tecnológica. A multinacional chinesa Windey Energy, uma das maiores fabricantes de equipamentos eólicos do planeta, escolheu Salvador como sede de sua primeira operação oficial no Brasil, onde acaba de inaugurar seu escritório e um moderno Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), instalado no campus do SENAI Cimatec.

A cerimônia de abertura contou com a presença do presidente mundial da Windey, Cheng Chenguang, e de diversas autoridades brasileiras, como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o presidente da CNI, Ricardo Alban, além de executivos da área de ciência e tecnologia e representantes do mercado de energia.

Centro de P&D e escritório marcam início da jornada da Windey no Brasil

Diferente do que chegou a ser divulgado anteriormente, não há até o momento confirmação de uma fábrica de turbinas eólicas em solo baiano. A atuação inicial da Windey no Brasil se concentra no desenvolvimento de soluções voltadas para geração de energia eólica e armazenamento em baterias, com foco especial em regiões fora da rede tradicional de distribuição elétrica — as chamadas soluções off-grid.

A parceria estratégica com o SENAI Cimatec permitiu a instalação do centro de pesquisa dentro do campus, que será a base de inovação da empresa no país. O objetivo é aplicar as tecnologias já desenvolvidas pela companhia em projetos adaptados à realidade brasileira, especialmente voltados ao meio rural e agroindústrias.

Autoridades e executivos participam da cerimônia de inauguração do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Windey Energy, no campus do Senai Cimatec, em Salvador. Na foto estão o presidente mundial da Windey Energy, Cheng Chenguang; o diretor de vendas para a América Latina, Hugo Louchan Chanf Miranda; o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues; o ministro da Casa Civil, Rui Costa; o senador Jaques Wagner; além de representantes do Senai e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado.

Soluções energéticas para áreas remotas e o agronegócio

Segundo o diretor de negócios da Windey para a América Latina, Hugo Iounchan Chang, a Bahia reúne todas as condições ideais para que as tecnologias da empresa possam ser aplicadas com eficiência. Ele destacou, por exemplo, os projetos de micro redes alimentadas por torres eólicas de baixo requerimento de vento, combinadas com baterias de armazenamento inteligentes, como alternativa para o fornecimento de energia em regiões rurais isoladas.

Essas tecnologias têm o potencial de atender tanto pequenos produtores que ainda vivem sem acesso à energia elétrica quanto instalações agroindustriais que precisam de fornecimento em larga escala. Trata-se de uma resposta direta aos desafios enfrentados por áreas que ainda dependem de redes frágeis ou inexistentes.

“O Brasil tem potencial e temos um compromisso com o desenvolvimento sustentável da Bahia”, afirmou Cheng Chenguang durante a cerimônia, reforçando que a sinergia com o SENAI Cimatec foi determinante para a escolha do estado como sede da Windey na América Latina.

Energia e inovação no coração do semiárido

O superintendente executivo de planejamento e novos negócios do SENAI Cimatec, André Oliveira, explicou que o centro de pesquisa já está orientado a desenvolver tecnologias com aplicação prática e imediata. Um dos focos é viabilizar, por meio do projeto Cimatec Sertão, uma unidade de geração e armazenamento de energia isolada com potencial para transformar a paisagem energética do semiárido.

Segundo ele, o objetivo é identificar pontos do Brasil com vocação energética para replicar essa tecnologia, sempre com foco em geração local, sustentabilidade e baixo custo. A expectativa é que, com o avanço das pesquisas, a Windey se torne um elo fundamental na construção de soluções nacionais para o setor de energia renovável.

Modelo de turbina eólica de última geração fabricado pela Mingyang Smart Energy, com capacidade para geração em larga escala e tecnologia integrada de monitoramento inteligente. A empresa é uma das líderes globais em soluções sustentáveis para a transição energética.

Parceria Brasil-China marca nova fase da industrialização verde

A instalação do centro de P&D da Windey é resultado de uma articulação diplomática mais ampla. A decisão foi firmada após um memorando de entendimentos assinado durante missão oficial do governo federal à China, com apoio direto do presidente da República, do governo da Bahia e de ministérios ligados ao setor produtivo.

Mais do que uma aposta econômica, o projeto representa uma iniciativa estratégica para aproximar o Brasil da nova economia verde, com base na industrialização limpa, desenvolvimento científico e aproveitamento das vocações naturais do território nacional.

Mesmo sem uma fábrica em funcionamento, a presença da Windey no Brasil já posiciona o país no radar das grandes potências tecnológicas da energia limpa. A atuação no Nordeste — especialmente na Bahia, líder em geração eólica — abre espaço para o desenvolvimento de um novo ecossistema que pode conectar indústria, agronegócio e inovação tecnológica.

Expectativas para o futuro: do semiárido ao protagonismo energético

A chegada da Windey é um marco simbólico e técnico. Mostra que o Brasil não quer apenas importar tecnologia, mas também desenvolver e exportar soluções energéticas adaptadas às suas condições geográficas e sociais. O semiárido, antes associado à escassez, agora se destaca como fronteira de inovação, onde o vento, o sol e a criatividade se convertem em oportunidades reais de crescimento.

O escritório e o centro de pesquisa da Windey em Salvador ainda são os primeiros passos, mas o potencial de expansão é significativo. Com uma base sólida de apoio institucional e técnico, a multinacional chinesa pode se tornar uma aliada de peso na transformação da matriz energética brasileira e no fortalecimento da indústria nacional em bases sustentáveis.

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Ronilson Melo
Ronilson Melo
29/07/2025 09:07

Bom dia Pessoal,

Peço desculpas, no lugar da palavra bahianos, leiam baianos.

Ronilson Melo
Ronilson Melo
29/07/2025 08:59

Essa é uma ótima notícia, em parte, pois a matéria não informa quando aconteceu a inauguração do centro de pesquisa e não revela os aspectos mais importantes, práticos para a sociedade, quantos técnicos bahianos ou brasileiros estão trabalhando ou vão trabalhar nesse centro e mais importante, quando será inaugurada a fábrica, quantos trabalhadores irão atuar…

Joas Assis Silva Junior
Joas Assis Silva Junior
28/07/2025 17:09

EU JOÁS SEI COMO FAZER UMA GERADOR DE ENERGIA TOTALMENTE LIVRE DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS COM UMA TURBINA EÓLICA DOMÉSTICA.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino, baseado no Rio de Janeiro, especializado em temas militares, tecnologia, energia e geopolítica. Busco traduzir assuntos complexos em conteúdos acessíveis, com rigor jornalístico e foco no impacto social e econômico.

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