Fabricante quer transformar seu domínio em chumbo em protagonismo no mercado de bateria no Brasil
Com um mercado cada vez mais orientado para tecnologias de bateria no Brasil ligadas ao lítio, a empresa de Pernambuco aposta em inovação, fábrica nova e tecnologia própria para competir com gigantes internacionais e manter seu nome como sinônimo de energia automotiva.
A Baterias Moura, líder absoluta no segmento automotivo, equipa seis em cada dez veículos no país. Esse domínio histórico, baseado na tradicional bateria de chumbo, enfrenta agora um desafio inédito: a transição energética global e a ascensão dos veículos elétricos.
De líder em chumbo ao desafio do lítio
Fundada em 1957, em Belo Jardim (PE), a Moura cresceu junto com a indústria automobilística brasileira. O que começou como um negócio familiar no quintal de casa se tornou uma operação com sete fábricas, presença internacional e faturamento anual de mais de R$ 2 bilhões.
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Por décadas, o modelo de negócios se apoiou no mercado de combustão interna, mas o avanço dos carros elétricos e híbridos exige um reposicionamento. Embora esses veículos ainda utilizem baterias de chumbo para funções secundárias, o componente essencial é a bateria de lítio responsável por armazenar toda a energia de tração.
O projeto Moura 2030
Para não perder espaço, a Moura lançou, em abril de 2025, suas primeiras baterias de lítio, voltadas para híbridos leves modelos que não carregam na tomada e usam o motor elétrico como apoio ao motor a combustão.
Essa é a primeira fase de um plano mais ambicioso: desenvolver baterias para híbridos plug-in e elétricos puros, que demandam capacidade muito maior.
O chamado projeto Moura 2030 busca criar tecnologia nacional capaz de competir com multinacionais chinesas e americanas.
Além do setor automotivo, a empresa quer ampliar sua atuação em soluções de armazenamento de energia, aproveitando a demanda crescente por sistemas que guardam eletricidade gerada por fontes solar e eólica.
Armazenar sol e vento: um novo mercado
As baterias de lítio não servirão apenas para veículos. A Moura planeja expandir na área de energia como serviço, oferecendo infraestrutura, instalação e gestão personalizada para empresas. O objetivo é viabilizar o uso contínuo de energia renovável, mesmo em períodos sem sol ou vento.
O cliente pagará apenas pelo pacote contratado, enquanto a Moura cuidará da operação e manutenção. Essa estratégia diversifica a receita e posiciona a marca em um segmento que cresce globalmente, estimulado pela busca por fontes limpas e estáveis.
Paralelos históricos e a nova corrida
A transição que a Moura enfrenta hoje guarda semelhanças com sua origem. Nos anos 1950, o mercado automotivo brasileiro dava seus primeiros passos, e a empresa se posicionou para atender a demanda emergente. Agora, a história se repete: um setor nascente o de veículos elétricos oferece a oportunidade de ocupar espaço desde o início.
A diferença é que, desta vez, a competição é global e a barreira tecnológica é maior. Lá atrás, bastava expandir a produção no quintal; hoje, a disputa envolve inovação, cadeias de suprimento complexas e padrões internacionais de desempenho e segurança.
Você acredita que a Moura vai conseguir repetir no mercado de lítio o sucesso que construiu com o chumbo? Ou a concorrência internacional será um obstáculo difícil de superar? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate.