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Mesmo movimentando R$ 80,6 bilhões em 2024, os atacadistas como o Assaí deixam grande parte do lucro para os bancos, que ganham mais sem operar nenhuma loja

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 29/08/2025 às 20:44
Setor bilionário de R$ 1 trilhão convive com paradoxo: atacadistas assumem riscos operacionais, mas bancos capturam mais lucro com tarifas de 2% a 4%
Setor bilionário de R$ 1 trilhão convive com paradoxo: atacadistas assumem riscos operacionais, mas bancos capturam mais lucro com tarifas de 2% a 4%
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Assaí fatura R$ 80,6 bilhões em 2024, mas bancos capturam mais lucro que o atacadista com taxas escondidas em cada transação financeira

O setor de supermercados e atacadistas é um dos pilares da economia brasileira, com faturamento superior a R$ 1 trilhão em 2024, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Entre os destaques, o Assaí movimentou sozinho R$ 80,6 bilhões no período, consolidando sua posição entre as maiores redes do país.

Mas, por trás desses números impressionantes, há uma contradição: quem mais lucra com esse fluxo de caixa não são as redes varejistas, mas os bancos e operadoras de cartão.

Como os bancos capturam o lucro dos atacadistas

Cada compra feita em cartões de crédito ou débito envolve taxas que variam entre 2% e 4% do valor total da transação. Além disso, quando o atacadista precisa antecipar o recebimento, paga mais cerca de 1% adicional. Para um setor cuja margem líquida gira entre 2% e 5%, isso significa que parte considerável do resultado operacional vai direto para o sistema financeiro.

O fenômeno é ainda mais grave quando se considera a escala. Milhões de transações diárias geram tarifas que, somadas, podem superar o lucro efetivo das próprias redes. Assim, mesmo movimentando cifras bilionárias, o caixa final das empresas acaba comprometido pelas engrenagens financeiras que cercam o varejo.

O poder oculto dos dados nas mãos do sistema financeiro

Além das tarifas diretas, os bancos controlam os dados das transações dos clientes, o que lhes dá vantagem para ofertar crédito, seguros e outros produtos financeiros. Essa receita adicional não passa pelos atacadistas, que acabam excluídos da etapa mais rentável da cadeia.

Ou seja, enquanto o atacadista assume riscos operacionais, logísticos e tributários, os bancos lucram de forma silenciosa, explorando o ecossistema criado pelo próprio varejo. É uma assimetria que mostra como o setor financeiro conseguiu capturar valor em praticamente todas as etapas da economia.

Atacadistas começam a reagir

Esse cenário, no entanto, começa a mudar. Grandes redes como Assaí, Carrefour e Atacadão já estruturam suas próprias soluções financeiras, criando carteiras digitais, sistemas de antecipação de recebíveis e até programas de crédito e cashback. A ideia é simples: transformar cada transação em uma oportunidade de fidelização e geração de receita interna.

Na prática, isso significa que os atacadistas podem evoluir para verdadeiras fintechs disfarçadas de supermercados, reduzindo custos operacionais e aumentando margens. O impacto pode ser duplo: de um lado, maior competitividade no setor; de outro, a quebra do domínio quase absoluto dos bancos sobre os meios de pagamento.

A análise mostra que os atacadistas movimentam bilhões, mas ainda entregam parte significativa de seus lucros ao sistema financeiro. A criação de estruturas próprias pode ser o passo decisivo para que redes como o Assaí transformem volume de vendas em rentabilidade real.

E você, acredita que os atacadistas devem investir pesado em soluções financeiras próprias para reduzir a dependência dos bancos? Ou o setor deve manter o foco no varejo tradicional? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir a visão de quem vive essa realidade no dia a dia.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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