O movimento do gigante do e-commerce sinaliza que a venda de medicamentos pode se tornar tão prática quanto adquirir roupas ou eletrônicos pela internet
O Mercado Livre, conhecido por dominar o comércio eletrônico na América Latina, está avançando para um novo setor: o de farmácia. A notícia foi revelada pela coluna Capital, do jornal O Globo, e confirmada pelo InvestNews.
Em nota, a empresa deixou claro o movimento:
“O Mercado Livre confirma a possível aquisição de uma empresa que comercializa medicamentos. No momento oportuno, o Mercado Livre irá compartilhar mais informações a respeito.”
Essa iniciativa abre espaço para que consumidores brasileiros tenham acesso a medicamentos de forma tão prática quanto já fazem com roupas, eletrônicos ou alimentos. A estratégia desperta curiosidade e também resistência.
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Quem está por trás da operação
Segundo informações, a negociação está sendo conduzida pela K2I Intermediação, subsidiária do Mercado Livre ligada à Kangu, empresa brasileira de logística adquirida em 2021. O alvo é a Target, nome fantasia da Cuidamos Farma Ltda., localizada no bairro do Jabaquara, Zona Sul de São Paulo.
Do outro lado da mesa está a Memed, startup de tecnologia em saúde que confirmou a venda. Em nota, a empresa afirmou:
“Mantém suas atividades focadas na digitalização da saúde no país, sendo utilizada mensalmente por mais de 130 mil médicos para prescrições.”
A Memed é controlada pela DNA Capital, gestora que tem entre seus principais investidores a família Godoy Bueno, fundadores da Amil e controladores da rede de laboratórios Dasa.
O negócio já foi submetido ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Isso significa que a compra passa agora pela análise de concorrência, avaliando se a entrada de um gigante do e-commerce em uma farmácia pode mexer no equilíbrio do setor.
Mercado de medicamentos sem prescrição em alta
O interesse do Mercado Livre tem um alvo claro: os medicamentos sem prescrição, conhecidos pela sigla em inglês OTC (over the counter). Nesta categoria estão analgésicos, antigripais e relaxantes musculares, produtos que fazem parte da rotina de milhões de brasileiros.
Segundo dados da consultoria IQVIA, as vendas de medicamentos OTC cresceram 12% em 2024 no Brasil. O setor se tornou ainda mais competitivo porque supermercados também tentam ocupar esse espaço, gerando uma disputa direta com as farmácias tradicionais.
Hoje, quem pesquisa medicamentos no site ou no aplicativo do Mercado Livre encontra apenas opções de uso veterinário. Se a compra da farmácia avançar, o cenário pode mudar, abrindo espaço para um novo braço do e-commerce que promete conveniência, rapidez e preços mais competitivos.
Desafios: regulação e resistência
Apesar do potencial, o caminho não é livre de barreiras. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) possui regras rígidas para a comercialização de medicamentos on-line, mesmo para aqueles sem prescrição. Além disso, as grandes redes de farmácias do país não devem assistir de braços cruzados à movimentação da plataforma.
A preocupação do setor não é apenas com a concorrência, mas também com a segurança do consumidor. Questões como armazenamento, prazos de validade e logística precisam estar alinhadas com normas técnicas, para que os medicamentos cheguem com a mesma confiabilidade que em uma farmácia física.
Por outro lado, para milhões de consumidores, a entrada do Mercado Livre nesse segmento pode significar mais praticidade e acesso rápido a produtos essenciais de saúde, em um modelo semelhante ao que já acontece em países onde grandes plataformas digitais vendem medicamentos OTC.
O que muda para o consumidor brasileiro
Caso a operação seja aprovada, o Mercado Livre pode alterar profundamente a rotina de compras do brasileiro. Três pontos merecem destaque:
- Praticidade: possibilidade de incluir medicamentos no mesmo carrinho de compras que já reúne eletrônicos, roupas e alimentos.
- Agilidade: entregas rápidas pelo sistema logístico robusto que o Mercado Livre consolidou no país.
- Preço: aumento da concorrência pode gerar maior competitividade e reduzir valores em algumas categorias.
Esse é um passo que pode mudar a dinâmica de consumo, mas também levanta questões: será que o Brasil está preparado para a digitalização da compra de medicamentos?