iFood negocia compra da Alelo por R$ 5 bilhões e pode unir delivery e vales-refeição, criando um ecossistema líder no setor de alimentação no Brasil.
O iFood, maior plataforma de delivery do Brasil, pode estar prestes a dar um passo decisivo para além do setor de entregas de refeições. De acordo com informações do Valor Econômico, a empresa, controlada pelo grupo de investimentos holandês Prosus, negocia a compra da Alelo por cerca de R$ 5 bilhões. Se o acordo for concretizado, o iFood não apenas reforçará sua posição como líder em delivery, mas também se tornará uma potência no setor de vales-refeição e alimentação, um mercado bilionário dominado atualmente pela Alelo.
A possível aquisição está em estágio avançado, segundo a publicação, embora ainda não haja confirmação oficial nem detalhes sobre o andamento dos trâmites. Bradesco e Banco do Brasil, acionistas da Alelo por meio da Elo Participações, negaram ter recebido proposta formal, mas a movimentação do iFood deixa claro que a empresa está mirando novos territórios para crescer.
iFood compra Alelo? O impacto de um negócio bilionário
O mercado de vales-refeição e alimentação é altamente estratégico. Estima-se que a Alelo detenha 85% do setor no Brasil, com forte presença em empresas, redes de restaurantes e estabelecimentos comerciais. Se a compra se concretizar, o iFood não apenas terá acesso a essa base de clientes e parceiros, como poderá integrar seus serviços de delivery com os vales, criando um ecossistema inédito no país.
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Na prática, trabalhadores que recebem benefícios em vales-refeição poderiam usá-los diretamente no iFood, enquanto restaurantes credenciados ganhariam mais alcance e praticidade nas transações. Essa sinergia poderia consolidar o iFood como a maior força do país no segmento de alimentação, com presença tanto digital quanto física.
Aquisição Alelo: tentativa de acabar com o “rebate” no mercado de tickets
Além da expansão de mercado, a possível compra da Alelo pode ter outro objetivo estratégico para o iFood: enfrentar o sistema de “rebate”. Essa prática consiste em um desconto oferecido pelas operadoras de vale-refeição às empresas contratantes, uma espécie de incentivo financeiro que, segundo críticas, acaba sendo repassado aos restaurantes e bares em forma de taxas consideradas abusivas.
O iFood já vem criticando esse modelo há algum tempo e defende que ele encarece a operação dos estabelecimentos credenciados. Ao assumir a liderança no setor, a empresa poderia redesenhar as regras do jogo, oferecendo um modelo mais equilibrado e, potencialmente, mais atraente para os parceiros.
iFood vale-refeição: transformação no ecossistema de delivery e benefícios
Se confirmada, a compra colocaria o iFood em um novo patamar. A empresa deixaria de ser “apenas” a principal plataforma de delivery do país para se tornar também um gigante do setor de benefícios corporativos. Isso significa disputar mercado com empresas como Ticket e Sodexo, além de abrir novas frentes de monetização.
Para o consumidor, a integração de vales-refeição diretamente no app do iFood poderia simplificar a experiência de pagamento e uso do benefício. Já para as empresas contratantes e restaurantes, a promessa de taxas menores e mais transparência poderia ser um grande atrativo.
Mercado observa negociação de R$ 5 bilhões com cautela
Embora a negociação tenha movimentado o mercado, ainda há muitas perguntas sem resposta. O Banco do Brasil e o Bradesco negaram oficialmente ter recebido proposta do iFood, o que pode indicar que as conversas ainda estão em fase de estudos ou em rodadas preliminares.
Além disso, um negócio desse porte poderia atrair atenção dos órgãos reguladores, como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), já que criaria um grupo dominante em dois setores altamente concentrados: delivery de refeições e benefícios de alimentação.
Concorrência de delivery e vales em alerta
Caso a aquisição avance, empresas concorrentes podem ter que se reposicionar. No setor de delivery, o iFood já domina a maior fatia do mercado, enfrentando rivais como Rappi e Uber Eats (que saiu do Brasil, mas ainda atua em outros mercados).
Com a Alelo sob seu guarda-chuva, o iFood passaria a controlar uma cadeia ainda maior, do vale-refeição ao consumo direto, criando um ecossistema fechado que poderia limitar o espaço de outras plataformas.
Já no segmento de benefícios, Ticket, Sodexo e VR Benefícios teriam que lidar com um novo e poderoso competidor. A entrada do iFood no setor poderia forçar mudanças em modelos de negócio e talvez até a redução de taxas para não perder espaço.
Alelo: a líder do setor que pode mudar de dono
Fundada em 2003, a Alelo é uma das maiores empresas de benefícios corporativos do país. Presente em milhões de transações diárias, a companhia consolidou-se como referência em vale-refeição e vale-alimentação, além de atuar em áreas como gestão de frota e incentivos corporativos.
Seu domínio de 85% do mercado de benefícios alimentares no Brasil explica o interesse do iFood. Integrar essa estrutura robusta ao seu ecossistema de delivery pode criar um “superapp” que vai muito além de entregar comida, englobando todo o ciclo de consumo de alimentação no país.
A possível compra da Alelo por R$ 5 bilhões representa muito mais do que um simples negócio: pode ser o ponto de virada para o iFood se tornar a maior força da alimentação no Brasil, unindo delivery, vales-refeição e benefícios corporativos em uma única plataforma.
Ainda há obstáculos — como negociações com acionistas, possíveis análises regulatórias e a definição de como será feita a integração dos serviços. Mas, se o acordo avançar, o impacto no mercado será profundo, mudando a forma como brasileiros consomem, pagam e recebem benefícios para alimentação.