Avião WC-135R detecta nuvens radioativas próximo a instalações estratégicas no Ártico em meio à tensão sobre testes nucleares
Um avião militar dos Estados Unidos projetado para rastrear radiação nuclear atmosférica sobrevoou, nesta semana, bases estratégicas no Ártico russo, incluindo áreas de Murmansk e do arquipélago de Novaya Zemlya, tradicionalmente ligadas ao programa atômico de Moscou. A operação, feita com o modelo WC-135R “Constant Phoenix”, também conhecido como farejador nuclear, foi monitorada por plataformas de rastreamento e sinaliza uma escalada na vigilância internacional sobre atividades nucleares russas.
A missão, registrada pelo Flightradar24 e repercutida pelo jornal O Globo, durou cerca de 14 horas e percorreu o Mar de Barents após decolar da base aérea de Mildenhall, no Reino Unido. O momento coincide com declarações do Kremlin sobre o fim da adesão a tratados que limitavam testes de mísseis nucleares, o que pode indicar preparativos para uma nova rodada de testes com armamentos como o SSC-X-9 Skyfall — míssil de cruzeiro movido a energia nuclear.
O que é o farejador nuclear WC-135R?
O WC-135R é uma aeronave da Força Aérea dos EUA modificada a partir do Boeing C-135. Seu principal diferencial é a capacidade de coletar partículas radioativas da atmosfera, permitindo verificar possíveis violações ao Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares, assinado em 1963. A aeronave possui sensores e filtros altamente sensíveis que identificam vestígios de detonações nucleares no ar.
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Apelidado de “Constant Phoenix”, o modelo já foi usado historicamente para confirmar explosões nucleares na Coreia do Norte e em outras regiões sob suspeita. Sua presença nas proximidades da Rússia, neste contexto, representa uma mensagem clara de monitoramento direto, mesmo sem cruzar espaço aéreo russo.
Por que a missão aconteceu agora?
Nos últimos meses, o governo de Vladimir Putin intensificou a retórica nuclear, afirmando que a Rússia não se considera mais limitada por tratados como o INF, que restringia mísseis de médio e curto alcance. A região de Novaya Zemlya, sobrevoada pelo WC-135R, é conhecida como local de testes desde a era soviética, incluindo a detonação da Tsar Bomba, a maior bomba nuclear já testada.
Além disso, cresce a expectativa internacional de que a Rússia esteja próxima de retomar os testes com o Burevestnik (SSC-X-9 Skyfall) — míssil com alcance virtualmente ilimitado, movido a reator nuclear e projetado para escapar de qualquer sistema antimísseis do Ocidente. A movimentação do “farejador” sugere que os EUA estejam em alerta para captar qualquer sinal atmosférico desses ensaios.
O que isso representa para o equilíbrio global?
A operação com o farejador nuclear acontece em um contexto de fragilidade dos acordos de controle de armas nucleares. Desde a suspensão do Novo START e o colapso do INF, as potências nucleares voltaram a testar limites estratégicos, com trocas de acusações e desenvolvimento de novas tecnologias ofensivas.
Segundo a Arms Control Association, mais de 500 testes nucleares atmosféricos foram realizados antes de 1963. O último teste atmosférico russo foi em 1990, mas a retomada dessa prática seria um marco perigoso na escalada militar global.
A presença do WC-135R também cumpre papel simbólico, ao mostrar que os EUA continuam fiscalizando com rigor qualquer tentativa de violação, mesmo em áreas remotas como o Ártico.
Você acha que o uso de aviões farejadores aumenta a segurança global ou agrava as tensões entre potências? Acredita que estamos entrando em uma nova corrida nuclear? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir seu ponto de vista sobre esse cenário.