Estocagem de gás em pauta ganha destaque em Alagoas com projeto da Origem, fortalecendo segurança energética e ampliando competitividade no setor.
A estocagem de gás em pauta tem ganhado relevância no Brasil, especialmente em Alagoas. O tema apareceu com força durante a reunião da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA). Na ocasião, a Origem Energia apresentou seu projeto de estocagem subterrânea de gás natural, destacando seus impactos econômicos, sociais e ambientais.
Segundo a empresa, a prática já é consolidada em diversas partes do mundo, como Estados Unidos e Europa. Nessas regiões, a técnica é aplicada há mais de um século, sendo fundamental para garantir equilíbrio entre oferta e demanda. Além disso, companhias de petróleo de diferentes países já utilizam amplamente essa solução, que se mostrou eficiente ao longo do tempo.
Em Alagoas, a injeção e a produção em reservatórios já ocorriam há algum tempo. No entanto, a novidade está justamente no uso comercial dessa atividade, o que coloca o estado de maneira estratégica dentro do cenário energético nacional. Essa estratégia reflete uma visão moderna de como a energia deve ser gerida para maximizar segurança, eficiência e desenvolvimento local.
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Além disso, o projeto da Origem também se conecta à tendência global de transição energética, pois integra o gás natural de forma planejada ao uso de fontes renováveis. Dessa forma, mesmo durante picos de consumo ou períodos de baixa geração de energia solar e eólica, o sistema garante suprimento confiável e previsível.
A importância da estocagem subterrânea
O diretor de Estocagem de Gás da Origem, Anderson Bastos, destacou que o projeto tem como objetivo principal trazer mais segurança ao mercado. Essa segurança envolve não apenas o aspecto operacional, mas também o comercial.
De acordo com ele, a prática ajuda a reduzir riscos causados pela oscilação de preços e pelos desequilíbrios de oferta e demanda. Ele ressaltou ainda que a estocagem proporciona flexibilidade e fortalece a abertura competitiva do mercado de gás, criando um ambiente mais seguro para produtores, distribuidores e consumidores.
A gerente do projeto, Danielle Carmo, reforçou que a estocagem subterrânea segue padrões de segurança reconhecidos mundialmente. Para ela, trata-se de uma atividade consolidada no setor energético global e que agora insere Alagoas em um novo patamar. Além disso, a iniciativa permite que o estado se torne um centro estratégico de operações de gás natural, com potencial de replicação em outras regiões do país.
Como funciona o processo de estocagem
Na prática, o processo de estocagem consiste em injetar o gás natural em reservatórios geológicos que já foram explorados anteriormente. Esses locais, antes ocupados por petróleo ou gás, possuem rochas-reservatório que armazenam o gás em microporos de forma segura e estável.
Posteriormente, o gás pode ser retirado de volta para o sistema de produção sempre que houver demanda. Esse modelo aproveita formações já conhecidas e exploradas, o que garante maior eficiência e menor risco ambiental. Além disso, a tecnologia permite monitoramento contínuo do reservatório, assegurando a integridade do solo e evitando impactos ambientais.
O presidente da FIEA, José Carlos Lyra de Andrade, elogiou a iniciativa e destacou sua importância para o estado. Para ele, a apresentação foi esclarecedora e reforçou a percepção de segurança sobre a atividade, mostrando como o projeto pode servir de referência para outros Estados brasileiros.
Experiências internacionais e a consolidação da prática
A estocagem subterrânea de gás não é novidade mundial. Desde o início do século XX, os Estados Unidos já utilizavam a técnica para enfrentar flutuações de consumo entre o inverno e o verão. Portanto, o armazenamento subterrâneo permitiu que o gás, injetado em épocas de menor demanda, fosse aproveitado quando o consumo disparava. Como resultado, o setor reduziu riscos de desabastecimento e ganhou estabilidade.
Na Europa, a prática também cresceu de forma acelerada após a Segunda Guerra Mundial. Naquele período, crises energéticas e a necessidade de reconstrução dos países exigiram soluções inovadoras. Assim, a estocagem subterrânea passou a ser parte essencial da política energética. Hoje, Alemanha, Itália e França utilizam esse recurso de maneira sistemática, garantindo estabilidade durante todo o ano.
Portanto, ao trazer essa experiência para o Brasil, especialmente para o Nordeste, a Origem insere Alagoas em sintonia com modelos internacionais bem-sucedidos. Em consequência, o país avança em direção a uma matriz energética mais segura, diversificada e moderna.
Impacto socioeconômico e capacidade do projeto
O projeto será instalado no município do Pilar, dentro da concessão do Polo Alagoas. Sua capacidade de armazenamento chegará a até 50 milhões de metros cúbicos de gás natural, número que demonstra sua relevância estratégica.
A iniciativa faz parte da estratégia da Origem Energia de reforçar a infraestrutura energética brasileira. Desse modo, não se trata apenas de uma medida regional, mas de um projeto que impacta o cenário nacional de forma positiva.
Durante a apresentação, os representantes da Origem destacaram ainda os resultados socioeconômicos da atuação da empresa no estado. Já foram gerados mais de 1.500 empregos diretos e indiretos. Além disso, houve um crescimento expressivo na produção de gás natural, que quadruplicou entre 2022 e 2024.
Esse avanço trouxe reflexos também na arrecadação. Apenas no último ano, o pagamento de royalties à União alcançou R$ 50 milhões. Desde o início das operações no estado, o valor acumulado já soma R$ 160 milhões, fortalecendo a economia local e nacional.
Além disso, o projeto pode gerar novas oportunidades para a indústria local, ao permitir que pequenas e médias empresas acessem gás natural de forma mais estável e competitiva. Consequentemente, a região pode se tornar mais atraente para investimentos, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento e emprego.
Um passo estratégico para o futuro energético
Ao analisar a estocagem de gás em pauta, percebe-se que a proposta vai além de uma simples solução técnica. Ela representa uma estratégia de médio e longo prazo para o setor energético.
O modelo ajuda a garantir o fornecimento contínuo, mesmo em períodos de maior oscilação no mercado. Além disso, a iniciativa reforça o papel do Brasil como protagonista na transição energética.
Embora o gás natural ainda seja uma fonte fóssil, ele desempenha papel crucial como combustível de transição. Nesse sentido, o armazenamento subterrâneo pode oferecer estabilidade e confiança para o uso dessa fonte enquanto as renováveis ampliam sua participação.
Outro ponto importante está no fortalecimento da competitividade. Ao garantir mais segurança para produtores, distribuidores e consumidores, a estocagem pode atrair novos investimentos e gerar ainda mais empregos, criando impactos duradouros para a economia local e nacional.
O projeto da Origem em Alagoas demonstra como a estocagem de gás em pauta pode transformar a dinâmica do setor energético e a economia de um estado.
A iniciativa reúne experiência internacional, tecnologia consolidada e impacto positivo na geração de empregos e receitas. Assim, o estado se posiciona como referência no cenário nacional, enquanto o Brasil avança no fortalecimento de sua infraestrutura energética.
Com segurança, transparência e visão estratégica, a estocagem subterrânea de gás se apresenta como um passo importante para o futuro do setor.
Além disso, a prática pode inspirar outros estados brasileiros a adotarem modelos semelhantes, aumentando a resiliência do sistema energético nacional e fortalecendo o país frente aos desafios do futuro.