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Estado desiste de ter sua primeira rodovia de concreto! Material amplamente utilizado nos EUA dura o dobro do velho asfalto

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 01/04/2025 às 18:27
Mato Grosso do Sul abandona a primeira rodovia de concreto e adota o modelo Crema para garantir rodovias mais duráveis e eficientes!
Mato Grosso do Sul abandona a primeira rodovia de concreto e adota o modelo Crema para garantir rodovias mais duráveis e eficientes!

Estado desiste da “primeira rodovia de concreto” e muda radicalmente seus planos! O novo modelo de restauração e manutenção traz promessas de rodovias mais seguras, duráveis e com menor custo.

A tão aguardada “primeira rodovia de concreto” de Mato Grosso do Sul, anunciada com grandes expectativas, deixou de ser uma realidade após mudanças no projeto original.

A rodovia MS-377, que estava sendo projetada para ser pioneira no estado com o uso de pavimento rígido, conhecido como “whitetopping”, já não seguirá esse caminho.

Em vez disso, a estrada será restaurada sob o modelo tradicional de recuperação de rodovias, o Programa de Contrato de Restauração e Manutenção (Crema), que traz vantagens como custos mais baixos e maior eficiência a longo prazo.

Mudança de planos e o uso do “whitetopping”

O projeto inicial para a MS-377, que se estende por 48 km entre o entroncamento da MS-320 até o município de Inocência, visava aplicar o “whitetopping”, um tipo de pavimento de concreto que promete durabilidade de até 20 anos, resistência ao tráfego pesado e baixo custo de manutenção.

Essa tecnologia já foi utilizada em outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná, com bons resultados.

Além de aumentar a durabilidade da rodovia, o “whitetopping” proporciona um conforto de rolamento superior, atraindo mais investimentos para a região e beneficiando o escoamento da produção agrícola local, como as plantações de Água Clara até a fábrica de Inocência.

No entanto, o governo de Mato Grosso do Sul, através da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) e a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), anunciou que a rodovia MS-377 será restaurada utilizando o modelo Crema, que inclui reperfis de asfalto e a aplicação de micro revestimentos com polímero.

O modelo Crema, adotado inicialmente no Brasil na década de 1990 com apoio do Banco Mundial, será utilizado novamente, pois garante custos mais baixos, maior segurança e um melhor controle sobre a manutenção a longo prazo.

O que é o modelo Crema e como ele funciona?

O Programa de Contrato de Restauração e Manutenção (Crema) tem como objetivo restaurar e manter rodovias de forma mais eficiente e sustentável.

O modelo já foi adotado em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, e se destaca por permitir que as empresas responsáveis pela restauração também realizem a manutenção da rodovia durante um período de 10 anos.

Isso cria uma espécie de “micro-PPP” (parceria público-privada), onde a empresa executa o serviço e fica responsável pela manutenção da via.

A promessa é que, ao garantir esse compromisso de longo prazo, o modelo Crema seja mais eficiente e traga benefícios econômicos tanto para o Estado quanto para os usuários da rodovia.

A proposta do governador Eduardo Riedel (PSDB) é substituir, aos poucos, os contratos tradicionais de manutenção de rodovias por esse modelo mais econômico e eficiente.

Em uma viagem aos Estados Unidos, no segundo semestre de 2023, o governador estudou esse modelo e indicou sua intenção de implantá-lo no estado, especialmente por meio da Subsecretaria de Infraestrutura e Logística e da Agesul.

“Com o modelo Crema, a empresa que restaura a rodovia se compromete com a manutenção dela.
Isso diminui a necessidade de intervenções constantes e assegura rodovias mais duráveis e seguras para a população”, explicou Riedel.

Benefícios e desafios do modelo Crema

O modelo Crema tem se mostrado vantajoso por vários motivos.

Além de proporcionar menores custos de manutenção, ele também facilita a execução de obras de grande escala, permitindo que a recuperação das rodovias aconteça de maneira mais organizada e eficaz.

Para rodovias importantes como a MS-377, que liga Três Lagoas a Inocência, o Crema se torna uma alternativa que, segundo o governo, vai garantir uma maior durabilidade e segurança.

A rodovia MS-377, que tem uma grande relevância no escoamento agrícola da região, também será beneficiada pela manutenção contínua ao longo dos anos, um ponto crucial, pois, como mostrou o caso da MS-436, rodovia que liga Camapuã a Figueirão, o uso inadequado de modelos de manutenção levou a problemas estruturais em menos de uma década.

A MS-436, por exemplo, precisou de uma requalificação urgente, com um investimento de R$ 136 milhões, após menos de 10 anos de uso.

De acordo com a Agesul e a Seilog, a escolha pelo modelo Crema foi determinada pela necessidade de atender à demanda crescente de tráfego na região, que deve registrar um aumento considerável nos próximos anos, com cerca de 15 mil veículos por dia até 2027.

Essa previsão de crescimento de tráfego, impulsionada principalmente pelo agronegócio, torna a escolha por um modelo de manutenção mais eficiente ainda mais relevante.

Por que a “primeira rodovia de concreto” foi deixada de lado?

O governo de Mato Grosso do Sul havia prometido, em maio de 2023, que a MS-377 seria a primeira rodovia de concreto do estado, mas, após ajustes no projeto, essa ideia foi abandonada.

A escolha pelo modelo Crema, com o uso de asfalto e tecnologia de micro revestimento, foi a alternativa adotada devido aos custos de implementação do “whitetopping” e à necessidade de uma solução mais rápida e eficaz para restaurar a via.

Embora o “whitetopping” ofereça várias vantagens, como maior resistência e menor necessidade de manutenção, ele não se mostrou viável devido ao orçamento e prazos.

Ainda assim, o uso de asfalto com revestimento de polímero não deixa de ser uma alternativa eficaz para melhorar a qualidade do tráfego e a segurança dos motoristas.

O modelo Crema, com sua proposta de manutenção de longo prazo, também pode ser uma solução interessante para outros trechos críticos do estado, garantindo rodovias mais seguras e eficientes.

O futuro das rodovias de Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul continua apostando em alternativas modernas para o desenvolvimento da sua infraestrutura rodoviária, com a implementação do modelo Crema, e isso pode gerar impactos positivos no setor de transporte e logística da região.

Ao adotar esse modelo, o estado busca uma melhor gestão de seus recursos, além de oferecer mais segurança e qualidade para os motoristas que utilizam essas rodovias diariamente.

O próximo passo é formalizar o programa de restauração e manutenção das rodovias MS-377 e MS-240, com investimentos e prazos definidos.

O Governo do Estado aposta que essa mudança não só irá melhorar as condições das rodovias, mas também impulsionar a economia regional, com um aumento significativo na movimentação de veículos e maior fluxo comercial.

Você acredita que a escolha pelo modelo Crema vai realmente melhorar a infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul? Quais são os pontos positivos e negativos desse modelo em comparação com o uso de concreto nas rodovias?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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