Câmbios de dupla embreagem preocupam donos no Brasil em 2025. Reparo pode custar até R$ 18 mil em sistemas VW DSG, PowerShift, S-Tronic, DCT e EDC.
Os câmbios de dupla embreagem chegaram ao mercado com a promessa de unir a agilidade de um câmbio manual ao conforto de um automático. Rapidez nas trocas, consumo otimizado e desempenho esportivo eram os principais atrativos. No entanto, no Brasil, essa tecnologia ganhou fama por outro motivo: altos custos de manutenção e falhas recorrentes relatadas por proprietários e registradas em oficinas e órgãos de defesa do consumidor. Em 2025, especialistas apontam que os reparos desses sistemas podem ultrapassar R$ 18 mil, dependendo da marca e do modelo.
VW DSG — desempenho elogiado, mas alvo de reclamações
A Volkswagen foi uma das primeiras a popularizar o câmbio DSG (Direct-Shift Gearbox) no Brasil, presente em modelos como Golf, Jetta e Audi A3 (pela divisão premium do grupo).
Apesar da eficiência e rapidez, o DSG enfrentou problemas crônicos nas embreagens secas em veículos vendidos por aqui. Entre os sintomas mais comuns relatados por donos estão:
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- trancos em arrancadas,
- engates demorados,
- e luz de anomalia acesa no painel.
Segundo oficinas especializadas, a substituição de componentes pode custar de R$ 10 mil a R$ 15 mil, valor que assusta proprietários e desvaloriza o usado no mercado.
Ford PowerShift — um dos casos mais polêmicos do Brasil
Entre todos os câmbios de dupla embreagem vendidos no Brasil, o PowerShift da Ford é o mais conhecido — e também o mais polêmico. Equipou modelos como New Fiesta, Focus e EcoSport.
O sistema gerou milhares de reclamações de trancos, superaquecimento e perda de potência. O caso chegou a envolver ações judiciais e um acordo coletivo entre Ford e o Ministério Público para compensar consumidores.
Mesmo após revisões técnicas, o PowerShift deixou uma herança difícil no mercado: modelos usados equipados com o câmbio têm valorização reduzida e donos ainda enfrentam contas que podem chegar a R$ 12 mil a R$ 18 mil para substituição de módulos e embreagens.
Audi S-Tronic — sofisticação alemã com custo elevado
O S-Tronic da Audi, versão premium do DSG, está presente em modelos como A3, A4 e Q3. Embora seja considerado tecnicamente superior, os problemas não passaram despercebidos no Brasil.
Em condições de uso severo, comuns nas grandes cidades brasileiras, o sistema apresentou desgaste acelerado de embreagens e módulos mecatrônicos.
Os custos de reparo são ainda mais elevados do que nos Volkswagen: até R$ 20 mil em concessionárias, segundo levantamentos de oficinas independentes.
Hyundai DCT — evolução coreana ainda sob críticas
A Hyundai adotou a DCT (Dual Clutch Transmission) em modelos mais recentes, como o Creta N Line e o HB20 Turbo. Apesar de ser uma geração mais avançada, oficinas já relatam problemas de superaquecimento em uso urbano intenso e necessidade de substituição prematura de componentes.
Os custos giram em torno de R$ 10 mil a R$ 14 mil, valores altos para modelos que se posicionam em segmentos populares e médios no mercado brasileiro.
Renault EDC — o francês que sofre em condições brasileiras
O câmbio EDC (Efficient Dual Clutch) da Renault, aplicado em modelos como Captur, Fluence e Duster 1.6 CVT em versões anteriores, também enfrentou desafios no país.
Embora menos noticiado que PowerShift ou DSG, o sistema apresentou falhas de módulos e embreagens, especialmente em veículos utilizados em tráfego intenso. Os valores de reparo ficam entre R$ 9 mil e R$ 13 mil em média, o que torna a manutenção pesada em relação ao preço dos veículos usados.
Oficinas e órgãos de defesa confirmam custos elevados
Segundo levantamentos de oficinas especializadas e registros em órgãos como o Procon-SP, as transmissões automáticas — especialmente as de dupla embreagem — estão entre as que mais acumulam reclamações no Brasil.
Relatos apontam que os reparos podem variar de R$ 8 mil a mais de R$ 18 mil, dependendo do modelo e da gravidade do problema. Além disso, muitos desses câmbios exigem ferramentas específicas e mão de obra altamente especializada, o que limita as opções de reparo fora da rede autorizada.
O impacto no mercado de usados
Os problemas de confiabilidade e alto custo de manutenção influenciam diretamente o mercado de usados. Modelos equipados com câmbios PowerShift, DSG e similares tendem a desvalorizar mais rápido e enfrentam resistência dos compradores.
Especialistas em mercado automotivo alertam que, ao comprar um usado com câmbio de dupla embreagem, o consumidor deve:
- Verificar histórico de manutenção do veículo;
- Checar se houve trocas de embreagem documentadas;
- Testar o carro em condições de tráfego urbano, onde os defeitos costumam aparecer.
Os câmbios de dupla embreagem marcaram uma evolução tecnológica no setor automotivo brasileiro, oferecendo desempenho e eficiência inéditos. Mas, em 2025, a realidade é clara: esses sistemas se tornaram sinônimo de custos elevados e problemas recorrentes.
Enquanto engenheiros e fabricantes ajustam novas gerações, os consumidores convivem com a conta alta: reparos que facilmente passam dos R$ 18 mil em oficinas especializadas.