1. Início
  2. Energia eólica, uma indústria promissora para o Brasil
6 min de leitura

Energia eólica, uma indústria promissora para o Brasil

Imagem de perfil do autor Paulo Nogueira
Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 25/01/2019 às 10:03 Atualizado em 25/01/2019 às 15:05

Sem categoria

Energia eólica, uma indústria promissora para o Brasil
O potencial do Brasil para gerar energia eólica é estimado em 500 gigawatts (GW), de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), o suficiente para atender a demanda de energia do país três vezes.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

O potencial do Brasil para gerar energia eólica é estimado em 500 gigawatts (GW), de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), o suficiente para atender a demanda de energia do país três vezes. O número também é três vezes maior do que a atual geração de eletricidade do país, incluindo todas as fontes disponíveis, como energia hidrelétrica, biomassa, gás natural, petróleo, carvão e energia nuclear. Em dezembro de 2018, a capacidade de geração instalada totalizava 162,5 GW, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Desse montante, a energia eólica representa 14,2 GW, o equivalente à capacidade instalada da enorme usina hidrelétrica de Itaipu e o suficiente para abastecer 22 milhões de domicílios. A energia gerada a partir do vento ocupa o quarto lugar na matriz energética do Brasil.

O potencial eólico de 500 GW representa apenas a geração em terra, realizada por turbinas eólicas que atendem aos padrões atuais – de 2 a 3 megawatts (MW) em torres de 150 metros de altura. As turbinas eólicas são usadas para converter energia eólica em eletricidade. Acontece que a indústria embarcou em esforços para aumentar a potência das turbinas eólicas para cerca de 5 MW. Com turbinas duas vezes mais potentes, seria possível dobrar a energia gerada em um espaço similar e reduzir os custos operacionais. “Os avanços técnicos podem ampliar significativamente o potencial eólico do país”, afirma a ABEEólica.

Multinacional A GE anunciou que venderá sua nova turbina de 4,8 MW no Brasil, lançada em todo o mundo em 2017. A máquina tem um rotor de 158 m de diâmetro, com três hélices, cada uma com 77 m de comprimento. A altura total da turbina – a torre mais uma das hélices apontando para cima – pode alcançar até 240 m, o comprimento de dois campos de futebol mais 30 m extras.

A combinação de um rotor maior e torres mais altas permite que a turbina faça uso de ventos mais intensos e produza mais energia – cerca de 90% a mais do que o modelo de turbina anterior da GE, de 2,5 MW. Uma turbina de 4,8 MW poderia atender o consumo de 7.500 residências.


wind power energy matrix brazil


A nova turbina será fabricada na fábrica da GE no Polo Industrial de Camaçari, na Bahia, e as hélices serão feitas em sua subsidiária LM Wind Power, em Ipojuca, Pernambuco. As hélices serão feitas de fibra de carbono, um material mais resistente e mais leve que a fibra de vidro tradicional. O desenvolvimento tecnológico foi realizado nos Estados Unidos, enquanto o Brasil esteve envolvido no fornecimento de dados sobre as características do vento, restrições logísticas e disponibilidade de maquinário (como guindastes) para adaptar a fabricação às condições de operação brasileiras.

Em outubro, a fabricante dinamarquesa Vestas afirmou que produziria turbinas eólicas de 4,2 MW no Ceará. A empresa está analisando se vai revitalizar suas instalações em Aquiraz, onde fabrica 2 MW de turbinas, ou se vai procurar outro lugar em outras partes do estado. Os investimentos no projeto totalizaram 23 milhões de euros (cerca de 100 milhões de reais) e esperam criar 200 empregos.

Energia mais barata

Um relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) afirma que o custo nivelado de energia (LCOE) da energia eólica caiu 22% entre 2010 e 2017 – hoje está em US $ 0,06 por kWh. O LCOE leva em consideração todos os custos esperados ao longo da vida útil de uma usina, dividido pela eletricidade gerada (em kWh) ao longo do período. O preço das turbinas, que representa cerca de 70% do investimento, foi reduzido em 40%.

O Conselho Global de Energia Eólica, um fórum representando o setor em nível nacional, relata que, em 2017, mais 52 GW foram adicionados à capacidade de geração de energia eólica do mundo, elevando o total para 539 GW. Para 2022, a estimativa é que esse número atinja 840 GW. O Brasil é o oitavo maior gerador de energia eólica do mundo e representa 2% da produção em todo o mundo. O país possui 568 parques eólicos com mais de 7.000 turbinas em operação, segundo dados da ABEEólica de 2017. O aumento na geração já previsto deverá levar a uma capacidade instalada de 17,6 GW em 2022.


wind power energy matrix brazil


A ABEEólica estima que a energia eólica será a fonte de energia mais popular nos leilões realizados pela Aneel nos próximos anos. Isso se deve ao fato de a energia eólica ter se mostrado bastante competitiva no Brasil, com custo em torno de R $ 90 por MWh, ao contrário da energia hidrelétrica, que, no último leilão em abril, custou R $ 198 por MWh.

Uma nova fronteira poderia vir do mar. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estimou – com base em um estudo de 2011 – que o potencial eólico do mar brasileiro é de 606 GW, com 57 GW localizados em uma região de até 10 quilômetros da costa. A ABEEólica, no entanto, não está planejando expandir no mar no curto prazo, devido ao custo do investimento, sendo aproximadamente cinco vezes mais caro do que onshore. Mesmo assim, em agosto de 2017, a Petrobras anunciou a elaboração de um projeto para instalar o primeiro parque eólico offshore do Brasil na costa de Guamaré (RN). A esperança é que ele comece a operar em 2022.

Movido pela necessidade

O Brasil começou a prestar atenção ao potencial da energia eólica em 2001, na esteira da crise energética conhecida como “blackout”. O país precisava diversificar sua matriz energética (que na época era quase exclusivamente baseada em hidreletricidade, e que lutou devido à baixa precipitação) e energia eólica foi uma alternativa que poderia ser rapidamente implementada. Naquele ano, foi criado o Programa de Emergência de Energia Eólica (Proeólica), com o objetivo de leiloar 1.050 MW em projetos de energia eólica até o final de 2003. A iniciativa, no entanto, não teve sucesso.

Em 2002, o governo iniciou o Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica, com o objetivo de incentivar uma indústria nacional de energia eólica, mas a produção local ainda era incipiente e cara. Além disso, a energia eólica não foi competitiva nos leilões, o novo sistema de comercialização de energia adotado pela Aneel em 2004.

Foi apenas a partir de 2009, com o primeiro leilão exclusivo de energia eólica, que o setor começou a ganhar força. Na época, 1,8 GW foram vendidos. No ano seguinte, a geração de energia eólica começou a disputar contratos em leilões de energia renovável e, em 2011, leilões de energia em geral. O crescimento do setor também foi resultado do apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que em 2012 passou a apoiar a indústria de máquinas.

Hoje, o Brasil tem seis fabricantes de turbinas eólicas que juntas têm capacidade para produzir 1.500 unidades a cada ano, o suficiente para gerar 3,5 GW. Para hélices de turbinas eólicas, 7.000 podem ser feitas a cada ano. No total, mais de 70 empresas formam a cadeia produtiva do setor e o nível de nacionalização é de 80%.



Tags
Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo