O Drex passou por mudanças importantes em sua tecnologia, mas segue em desenvolvimento pelo Banco Central. O projeto avança em nova fase, mira tokenização de ativos e pode ter papel estratégico na economia brasileira e internacional.
O real digital, conhecido como Drex, não foi abandonado pelo Banco Central. A confirmação veio de Fábio Araújo, diretor da instituição e coordenador do projeto, durante um evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) nesta sexta-feira (29).
Segundo ele, o formato mudou, mas a iniciativa segue em desenvolvimento e já tem prazo para ser lançada. Araújo explicou que a principal alteração diz respeito à tecnologia utilizada.
Inicialmente, o Drex estava baseado em blockchain, sistema que registra transações de forma descentralizada e transparente.
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Porém, essa abordagem trouxe problemas relacionados à privacidade dos usuários.
De acordo com o diretor, a blockchain funciona como uma “caixa de vidro”: garante segurança, mas expõe informações de maneira visível, o que não se encaixa no modelo brasileiro.
Por isso, o Banco Central decidiu buscar outro caminho para viabilizar a tokenização de ativos, conceito central do projeto, sem depender de tecnologias de registro distribuído.
Privacidade e regulação como diferenciais
Araújo destacou que o Brasil já possui a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e regras consolidadas de sigilo bancário.
Essas legislações oferecem padrões elevados de proteção, o que, segundo ele, elimina a necessidade de criar novos mecanismos de privacidade a partir da blockchain.
“Não cabe ao Banco Central questionar esse paradigma já estabelecido”, afirmou. Ele acrescentou que a atual fase do Drex busca consolidar uma arquitetura que preserve essas garantias e, ao mesmo tempo, entregue um produto útil à população.
Histórico e fases do projeto Drex
O Drex começou a ser discutido em 2020, ainda sob o nome de real digital.
Nos primeiros testes, a ideia era explorar como moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês) poderiam facilitar transações financeiras e aumentar a competitividade no setor.
Na primeira fase, o foco foi entender o funcionamento da tecnologia e as possibilidades de integração com o sistema financeiro nacional.
A segunda etapa, iniciada em 2022, trouxe experimentos com contratos inteligentes e operações tokenizadas em ambiente controlado.
Foi nesse período que surgiram os maiores questionamentos sobre privacidade e escalabilidade, levando à revisão tecnológica que afastou o Drex da blockchain.
Agora, na terceira fase, o Banco Central concentra esforços em arquitetar uma infraestrutura definitiva, que permita ao Drex ser usado de forma prática e em larga escala.
O que muda na prática para o cidadão
A expectativa é que o Drex vá além de simples transferências.
Ele poderá ser utilizado em empréstimos automatizados, liquidação de compra e venda de imóveis, crédito rural, pagamentos em tempo real e até integração com programas sociais.
Tudo isso será possível graças à tokenização de ativos, processo que transforma bens físicos ou direitos em representações digitais registradas no sistema.
Na prática, um agricultor poderia contratar crédito rural com condições pré-programadas em um contrato inteligente, que libera o valor somente quando as cláusulas forem atendidas.
Da mesma forma, a compra de um apartamento poderia ser concluída com mais rapidez, sem a burocracia cartorial tradicional, pois o contrato seria registrado digitalmente no Drex.
Conexão com Pix e BRICS
O Banco Central vê o Drex como uma evolução natural após o sucesso do Pix, lançado em 2020 e hoje usado por mais de 150 milhões de brasileiros.
Assim como ocorreu com o sistema de pagamentos instantâneos, a expectativa é que a moeda digital traga inclusão financeira e reduza custos de transações.
Além do impacto interno, há uma dimensão geopolítica importante.
O Brasil busca maior integração com os países dos BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — e estuda mecanismos para diminuir a dependência global do dólar nas transações internacionais.
O Drex, ao oferecer um ambiente digital interoperável, poderia ser peça-chave nesse movimento.
Desafios do Drex no Brasil
Apesar do otimismo, especialistas apontam desafios consideráveis.
A cibersegurança é um dos principais, já que o sistema precisará ser resistente a ataques que possam comprometer dados e valores digitais.
Outro ponto é a inclusão digital.
Embora o Pix tenha mostrado forte adesão, milhões de brasileiros ainda têm acesso limitado à internet ou a dispositivos móveis, o que pode dificultar a adoção em massa do Drex.
Será necessário promover educação financeira e digital para que a população entenda como utilizar a moeda de forma segura.
A aceitação do setor privado também será decisiva.
Bancos, fintechs e empresas precisarão adaptar seus sistemas e criar soluções inovadoras para que o Drex seja incorporado ao dia a dia econômico.
Quando o Drex estará disponível
Atualmente em sua terceira fase de testes, o Drex tem previsão de chegada ao mercado em 2025, segundo cronogramas divulgados pelo Banco Central.
Até lá, a equipe técnica seguirá ajustando a plataforma para garantir segurança, privacidade e viabilidade no uso cotidiano.
Araújo reforçou que o trabalho está voltado para “gerar um produto útil para a população” e que a instituição está atenta aos desafios de implementação.
Como se preparar para a chegada do Drex
Para os especialistas, a principal recomendação é acompanhar os comunicados oficiais do Banco Central.
Empresas do setor financeiro devem observar como a tokenização poderá abrir novas frentes de negócios.
Já os cidadãos precisam entender que a moeda digital não substituirá o real em papel, mas funcionará como uma versão complementar, 100% eletrônica.
Assim como ocorreu com o Pix, o período inicial deve exigir adaptação, mas também pode abrir espaço para inovação em crédito, pagamentos e investimentos.
O Drex representa uma aposta ousada: transformar a forma como o dinheiro circula no Brasil e projetar o país em uma economia global cada vez mais digital.
A grande questão é se ele conseguirá repetir o impacto que o Pix alcançou em tão pouco tempo. Na sua visão, o Drex terá a mesma adesão popular que revolucionou os pagamentos no Brasil?
Uma das coisas mais importantes que o BC junto ao governo não informa é o controle do seu dinheiro.
Cidadão isso chama-se segurança nacional. Todo país do mundo faz limitações ao usuário comum, informando só o necessário para a compreensão do usuário final!
Espero ter lhe ajudado!
O que me preocupa nessa “pseudo” segurança onde ele compara a uma caixa de vidro. Pq não se pode saber quem está movimentando vultuosas quantias de dinheiro.? Teremos políticos, criminosos, **** usando essa ferramenta e não poderemos descobrir quem é? Precisamos de mais detalhes sobre nós assegurar que não teremos mais gente desviando dinheiro sem que se saiba como. O povo comum não vai se interessar por isso logo de cara. Quem vai usar isso são os poderosos.
Cidadão o Drex é exatamente para isso o uso da rastreabilidade! Esse é o ponto chave, exatamente o que você, ainda, não!
Os governantes querem controlar tudo o que o povo seu patrão faz. Por outro lado o povo patrão passou a ser escravo do governo gerente do patrão.
São ateus confirmando a verdade bíblica da nova ordem mundial….. está tudo na frente dos olhos, só não vê quem quer fazer de cego, ou da mesma ideologia.
As inovações só são boas quando não são invasivas. Qualquer dia nossas casas serão do governo e as poderão tirar do próprio dono. O analfabetismo é a nova plataforma….
Haverá guerra na certeza. Um abraço da resistência .