Brasil e México ampliam comércio de US$ 13,6 bi: novos acordos liberam pêssegos, aspargos, atum e ração, abrindo nova fase da integração regional.
Em agosto de 2025, durante visita oficial ao México liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, o Brasil firmou novos acordos bilaterais que ampliam a corrente de comércio entre os dois países. A agenda marcou um passo histórico: a abertura de mercado para pêssegos, aspargos e derivados de atum brasileiros, além da liberação da farinha de ração animal para o México. Essas medidas fortalecem a relação entre os dois maiores mercados da América Latina, que em 2024 já movimentaram US$ 13,6 bilhões em comércio bilateral.
Abertura de mercado: pêssegos, aspargos e derivados de atum
Os produtos agrícolas incluídos no novo pacote eram antigas demandas do setor exportador brasileiro. A fruta e a hortaliça — pêssego e aspargo — enfrentavam barreiras sanitárias e tarifárias que impediam sua entrada no México.
Agora, com a aprovação das autoridades mexicanas, produtores brasileiros ganham acesso a um mercado consumidor de mais de 130 milhões de habitantes, altamente integrado ao comércio internacional via T-MEC (acordo de livre comércio entre México, EUA e Canadá).
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Outro destaque foi a abertura para derivados de atum, setor que movimenta milhares de empregos em estados do Norte e Nordeste do Brasil. Essa conquista amplia a diversificação da pauta exportadora, até então dominada por soja, milho, carne e minério de ferro.
Farinha de ração animal: impacto direto na pecuária
Entre os ganhos brasileiros também está a liberação da farinha de ração animal. Esse insumo é estratégico para o setor pecuário, pois pode ser usado na alimentação de bovinos e suínos, segmentos nos quais o Brasil já é líder global.
Ao entrar no mercado mexicano, o produto brasileiro fortalece cadeias produtivas integradas e pode abrir espaço para parcerias tecnológicas em genética animal, sanidade e produção sustentável.
Comércio bilateral: de US$ 10 bi para US$ 13,6 bi em três anos
De acordo com dados oficiais, a corrente de comércio entre Brasil e México saltou de US$ 10 bilhões em 2021 para US$ 13,6 bilhões em 2024, crescimento de 36% em apenas três anos.
Entre os principais itens exportados pelo Brasil para o México estão:
- Soja e derivados;
- Carnes bovinas e de frango;
- Produtos químicos e petroquímicos;
- Veículos automotivos.
Do lado mexicano, o Brasil importa principalmente:
- Veículos leves e pesados;
- Componentes eletrônicos e autopeças;
- Produtos químicos e fertilizantes.
Com os novos acordos, a expectativa é que o comércio bilateral supere US$ 15 bilhões já em 2026, ampliando a participação de produtos agrícolas de alto valor agregado.
Encontros de alto nível e compromissos futuros
A visita oficial incluiu reuniões entre Geraldo Alckmin e a secretária de Economia do México, Raquel Buenrostro, além de encontros com líderes empresariais dos dois países.
Durante os diálogos, foram discutidos não apenas temas agrícolas, mas também cooperação em aviação, energia renovável, defesa e inovação tecnológica. Segundo Alckmin, os acordos refletem a “confiança mútua entre as duas maiores economias da América Latina e a busca por maior integração em cadeias produtivas globais”.
Benefícios regionais para o Brasil
A abertura para pêssegos, aspargos e pescados terá impacto direto em regiões produtoras brasileiras:
- Sul do Brasil: Rio Grande do Sul e Santa Catarina são grandes produtores de pêssego, que agora ganha escala internacional.
- Sudeste e Nordeste: áreas irrigadas do Vale do São Francisco e do interior paulista poderão expandir a produção de aspargos para exportação.
- Norte e Nordeste: pesca e beneficiamento de atum ganham novo mercado, criando mais empregos e fortalecendo a indústria local.
Esse movimento representa a diversificação da pauta exportadora, algo que especialistas consideram essencial para reduzir a vulnerabilidade do Brasil em períodos de oscilação de commodities tradicionais.
O peso geopolítico da parceria Brasil–México
Além dos números econômicos, a aproximação tem forte valor estratégico. Brasil e México são as duas maiores economias da América Latina, somando juntas mais de US$ 4 trilhões de PIB.
Com os novos acordos, os países sinalizam que pretendem atuar como parceiros estratégicos, equilibrando o peso das relações com os Estados Unidos, Europa e Ásia. Essa integração pode dar mais protagonismo ao bloco latino-americano em negociações internacionais sobre comércio agrícola, clima e segurança alimentar.
Projeções para os próximos anos
Economistas projetam que a corrente de comércio Brasil–México deve continuar crescendo nos próximos anos, especialmente pela ampliação de produtos agrícolas e pelo fortalecimento de cadeias industriais integradas.
Entre as projeções:
- Corrente de comércio ultrapassando US$ 15 bilhões em 2026.
- Expansão de linhas aéreas e logísticas entre os países.
- Possível inclusão de novos produtos agrícolas na lista de exportação.
- Cooperação em aviões e energia limpa, que podem somar novos bilhões ao intercâmbio.
O acordo firmado em agosto de 2025 entre Brasil e México representa muito mais do que a liberação de novos produtos: é a prova de que os dois maiores mercados da América Latina estão comprometidos em aprofundar sua integração econômica e geopolítica.
Com US$ 13,6 bilhões em comércio bilateral já registrados em 2024 e a expectativa de novos recordes a partir de 2026, a parceria se fortalece como eixo estratégico para o futuro do agro, da indústria e da diplomacia regional.