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Altar é encontrado em cidade maia e revela rituais ocultos e estranhos há 1.500 anos — o que chama atenção é que as práticas não estão ligadas aos maias

Publicado em 11/04/2025 às 21:57
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Estrutura 6D-XV-Sub3, altar com murais fotografados do sudoeste (acima) e renderizados do noroeste (abaixo). Crédito: fotografia de E. Román; renderização de H. Hurst.
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Achado raro sugere que influência de Teotihuacan chegou mais longe do que se pensava, revelando interações complexas com o mundo maia

Nas densas selvas da Guatemala, arqueólogos fizeram uma descoberta surpreendente. Um pequeno altar foi encontrado no sítio arqueológico de Tikal, uma antiga cidade maia. À primeira vista, ele não chamava tanta atenção. Era do tamanho de uma criança. Mas suas formas e pinturas revelaram algo inusitado: ele foi feito no estilo de Teotihuacan, cidade situada a mais de 1.200 quilômetros dali.

A descoberta reacende o debate sobre a relação entre os maias e Teotihuacan no século V. Esse altar pode ser a evidência mais clara da influência da metrópole mexicana no mundo maia.

Um altar encontrado fora do lugar

O altar foi encontrado em um conjunto residencial chamado Grupo 6D-XV. Era uma peça discreta, mas cheia de detalhes. Pintado em vermelho, amarelo e preto, trazia rostos com cocares emplumados e ornamentos em forma de escudo. A construção seguia o estilo arquitetônico talud-tablero, típico de Teotihuacan.

A técnica usada também chamava atenção. Pinceladas em camadas, imagens frontais de divindades e simetria. Não parecia uma cópia maia. Era arte feita por gente treinada nas tradições de Teotihuacan.

Os pesquisadores concluíram que os murais foram produzidos por artistas com domínio do estilo original. A datação por radiocarbono indica o uso do altar entre 400 e 550 d.C., período em que um personagem de Teotihuacan, conhecido como Coruja Lança-Lança, teria ajudado a implantar uma nova dinastia na cidade maia de Tikal.

Mistérios enterrados

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PAST-Burial 10 e detalhe dos artefatos encontrados no sepultamento. A caixa de inserção mostra uma cobertura de orelha em entalhe com incrustações de conchas e jade (42 mm de diâmetro) encontrada 100 mm acima do crânio (figura de S. Levine, L. Paiz e A. Scherer).

O altar estava em um pátio privado. Ao seu redor, ficavam quatro edifícios, provavelmente ocupados por famílias da elite maia. Mas o que intriga os arqueólogos é o que foi achado embaixo dele.

Foram identificados quatro sepultamentos de crianças e outros depósitos rituais. A disposição lembrava as práticas funerárias de Teotihuacan. Uma das crianças, por exemplo, foi cremada e colocada sentada, com os braços cruzados no peito — exatamente como se fazia em rituais daquela região do México.

Três das crianças tinham menos de quatro anos. “Os restos mortais de três crianças com menos de 4 anos foram encontrados em três lados do altar”, disse a arqueóloga Lorena Paiz à Associated Press.

Ela também comentou que “os teotihuacanos eram comerciantes que viajavam por todo o país (Guatemala)”. Segundo Paiz, os complexos residenciais de Teotihuacan tinham cômodos e altares no centro — o mesmo padrão encontrado nesta residência em Tikal.

Cerâmicas e espelhos

As sepulturas também revelaram outros indícios do contato com Teotihuacan. Foram encontrados vasos com bordas recortadas e formas que imitavam objetos do México central. Em uma sepultura adulta, havia uma lâmina de obsidiana verde — um material típico da região de Teotihuacan.

O próprio altar tinha um detalhe intrigante: um encaixe circular. Os arqueólogos acreditam que ali havia um disco, talvez um espelho. Ele foi retirado antes de o altar ser coberto por entulhos.

Isso pode indicar um ritual de encerramento. Esse sepultamento coincide com o declínio de Teotihuacan, sugerindo uma possível perda de influência.

O altar encontrado revela um mapa da política antiga

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Objetos relacionados a Teotihuacan encontrados com o altar. Fragmentos de queimadores de incenso. Crédito: fotografias de L. Paiz; desenhos de S. Levine.

O aparecimento desse altar levanta uma pergunta: por que um objeto mexicano estaria no centro de Tikal? Para entender isso, é preciso esquecer as fronteiras modernas. No século V, Teotihuacan era uma das maiores cidades do mundo, com mais de 100 mil habitantes. Seu alcance chegava do México até Honduras.

Tikal, por sua vez, era uma potência maia. Já se sabia da presença estrangeira na cidade. Uma estela antiga, conhecida como “Tikal Marcador”, registra a chegada de representantes de Teotihuacan no ano 378 d.C. Mas o altar do Grupo 6D-XV vai além. Ele mostra que a influência não se limitava à política. Ela estava presente na vida cotidiana.

Símbolos de poder e divindade

Os murais do altar mostram figuras com cocares e escudos nos quatro lados. Isso pode representar os quatro pontos cardeais, uma forma de organizar o mundo segundo a visão teotihuacana.

Alguns estudiosos associam esses rostos ao “Deus da Tempestade” e à “Grande Deusa”, divindades ligadas à fertilidade, chuva e poder. Ainda não está claro se eram adoradas como deuses ou se serviam como símbolos de status e legitimidade.

O que se sabe é que alguém em Tikal tinha acesso a artistas, conhecimentos e técnicas vindas diretamente de Teotihuacan.

Esse altar pode ser somente a ponta do iceberg. Outras construções no estilo mexicano foram encontradas em Tikal, como uma praça parecida com o grande complexo da Ciudadela, em Teotihuacan.

Milhares de fragmentos de incensários, cerâmicas e tumbas com objetos exóticos reforçam a ideia de um contato profundo. Isso vai além de simples comércio. Pode ter havido um enclave estrangeiro em Tikal.

Não se sabe se era um posto militar, diplomático ou algo mais complexo. Talvez fosse uma elite maia adotando costumes estrangeiros como forma de exibir poder. O uso de estilos de Teotihuacan pode ter sido uma forma de se destacar.

O altar foi enterrado de forma ritualizada. Isso pode indicar um fim simbólico da influência de Teotihuacan na região. A cidade mexicana entrou em declínio por volta do mesmo período.

Mesmo assim, o altar continua como uma das provas mais claras da ligação entre essas duas grandes civilizações da Mesoamérica. Seu estilo, suas imagens e os sepultamentos ao seu redor são uma janela rara para uma história de troca, adaptação e convivência entre mundos antigos.

Com informações de ZME Science.

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Romário Pereira de Carvalho

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