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A OpenAI perdeu US$ 5 bilhões em 2024, mas Sam Altman promete gastar trilhões em data centers, bancados indiretamente por governo e Big Techs

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 29/08/2025 às 19:52
Enquanto Microsoft, Amazon e Meta investem US$ 155 bilhões em IA, OpenAI opera no vermelho e aposta em visão de futuro vendida por Sam Altman
Enquanto Microsoft, Amazon e Meta investem US$ 155 bilhões em IA, OpenAI opera no vermelho e aposta em visão de futuro vendida por Sam Altman
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OpenAI perde US$ 5 bilhões em 2024, mas Sam Altman exige trilhões para data centers que já consomem mais que o PIB do consumo americano

A trajetória recente da OpenAI mostra o poder de narrativa de Sam Altman, capaz de manter a empresa entre as mais valiosas do mundo apesar de resultados financeiros negativos. Em 2024, a companhia registrou receita de US$ 3,7 bilhões, mas um prejuízo de US$ 5 bilhões, segundo análise do biólogo e divulgador científico Átila Iamarino.

Ainda assim, a avaliação de mercado da empresa ultrapassa US$ 500 bilhões, sustentada por promessas de expansão tecnológica sem precedentes.

O paradoxo da OpenAI: prejuízo e valorização

O que chama atenção é o abismo entre a situação financeira e a projeção de mercado. Sam Altman consegue convencer investidores e governos de que o futuro da inteligência artificial justifica aportes trilionários, mesmo sem lucro. Esse movimento se apoia em uma estratégia agressiva: transformar a OpenAI não apenas em produtora de softwares, mas em um ecossistema que depende de infraestrutura gigantesca, incluindo chips, energia e supercomputadores.

Segundo Átila, essa dinâmica lembra uma bolha especulativa, já que empresas e governos injetam capital em projetos que ainda não entregaram retorno real. Mas, no curto prazo, a narrativa tem funcionado, garantindo à OpenAI posição central no setor.

O projeto Stargate e a corrida pelos super data centers

Entre os planos mais ambiciosos está o chamado Stargate, uma rede de data centers globais com capacidade de processamento muito acima do existente hoje. Sam Altman pede trilhões de dólares para viabilizar a ideia, que depende diretamente de chips da Nvidia e de energia elétrica em escala industrial.

Em 2025, Microsoft, Amazon, Meta e Alphabet já destinaram US$ 155 bilhões apenas para infraestrutura de IA — valor superior ao orçamento do governo dos EUA para educação e programas sociais no mesmo período. Isso mostra a prioridade dada ao setor e como Altman conseguiu mobilizar recursos comparáveis a grandes projetos nacionais.

O custo energético da inteligência artificial

Um dos pontos críticos é o consumo energético. Os super data centers já gastam mais eletricidade do que muitos países inteiros e podem superar o consumo residencial dos EUA até 2030. Esse cenário coloca em dúvida a sustentabilidade da expansão. Se, por um lado, a promessa é de máquinas inteligentes que transformem a economia, por outro, a pressão sobre energia e recursos ameaça setores tradicionais.

Sam Altman usa o discurso de “apocalipse digital”, comparando a IA com riscos de guerra nuclear ou pandemias, o que ajuda a justificar os gastos bilionários. Mas críticos apontam que esse discurso serve também para desviar o foco dos problemas práticos, como o custo ambiental, a falta de transparência e a ausência de lucro consistente.

Uma empresa em crise de identidade

A OpenAI nasceu como organização sem fins lucrativos, mas, na prática, tornou-se um negócio privado que depende de capital externo e acordos estratégicos. Ex-funcionários já denunciaram pressa em lançamentos, riscos de segurança e manipulação interna. Mesmo após ter sido afastado brevemente em 2023, Altman retornou ao comando porque é considerado o único capaz de atrair os investimentos necessários para sustentar a empresa.

Esse paradoxo expõe a fragilidade do modelo: uma companhia deficitária, mas tratada como peça essencial para o futuro econômico mundial. O que mantém a OpenAI no topo não são seus resultados financeiros, mas a capacidade de Sam Altman de vender a visão de um futuro inevitável dominado pela inteligência artificial.

O caso da OpenAI mostra como Sam Altman transformou um prejuízo bilionário em combustível para pedir trilhões em investimentos. A estratégia mantém a empresa valorizada, mas levanta dúvidas sobre sustentabilidade financeira, impacto ambiental e concentração de poder em poucas mãos.

E você, acredita que o plano de Sam Altman é realmente o futuro inevitável da tecnologia ou estamos diante de uma bolha que pode estourar a qualquer momento? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir sua análise sobre esse cenário.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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