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A energia nuclear no Brasil gera ótimas perspectivas: webinar promovido pela Cebri destaca a importância dessa fonte para a redução de gases de efeito estufa

28 de março de 2022 às 08:00
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Angra 3 Usina de Energia Nuclear em Angra dos Reis em construção
A usina de energia nuclear Angra 3 está com 70% das obras concluídas e deve contribuir para uma geração de energia elétrica mais barata e mais limpa. Fonte: Divulgação

O setor nuclear tem potencial para contribuir com um mundo mais limpo, já que é a segunda maior fonte de energia de baixo carbono, e corresponde a 10% da produção energética global

As perspectivas para a energia nuclear e a importância do setor na transição para um mundo mais sustentável foram temas de um webinar promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Públicas (Cebri) nesta terça-feira (15). O encontro reuniu especialistas do setor de diversas instituições que defendem a energia nuclear como potência em geração de energia elétrica mais barata e sem emissão de gases de efeito estufa.

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A energia nuclear é responsável por 3% da matriz energética no Brasil. Essa fonte de energia elétrica, apesar de ser aliada da sustentabilidade, ainda é vista com preconceito devido os casos de acidentes em usinas em épocas passadas. O caso mais conhecido ocorreu em Chernobyl, na Ucrânia, 1986, causando mais de 2,4 milhões de mortes.

Presente no webinar da Cebri, o diretor-presidente da Eletronuclear, Leonam Guimarães, colocou em sua fala inicial como a energia nuclear pode trazer segurança para o setor energético, exemplificando a “crise do petróleo” ocorrida nos anos 70 e o fato da França hoje ter cerca de 70% de sua matriz oriunda do setor.

Webinar reuniu especialistas do setor de energia nuclear – confira o debate na íntegra

“O medo é causado pelo desconhecimento. A segurança energética na base da evolução da energia nuclear porque ela foi bastante associada às crises do petróleo da década de 70 (…) A energia nuclear tem um efeito bastante significativo em termos de aumento da segurança energética”.

Leonam Guimarães – diretor-presidente da Eletronuclear

Ainda sobre segurança energética, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Barral, pontou que a energia nuclear combina os imperativos de segurança energética com o ritmo de transição para a descarbonização, e colocou que, em relação ao Plano Nacional de Energia 2050, o setor nuclear deve minimizar os arrependimentos sobre o que o Brasil já estabeleceu de expertise na produção de energia de outras fontes.

“A nossa função não é o menor custo, mas reduzir o custo de arrependimentos. Diante de uma diversidade enorme de cenários, como é que nos fazemos escolhas que não nos coloquem em ‘becos sem saída’?. Aos longos dessas décadas o Brasil constituiu expertise, acumulou conhecimento e tecnologia, então tem todo um ativo que foram investimentos ao longo de muitos anos. Se nós fazemos a opção por abandonar essa energia, nós desconstituímos esse ativo, e será que isso vai gerar um custo de arrependimento lá na frente quando, eventualmente nos deparamos com empate na cadeia de suplemento de combustíveis?”

Thiago Barral – presidente da EPE

Guerra na Ucrânia não poderia deixar de ser citada na perspectiva do mercado de energia

De acordo com o gerente de projetos da PSR, Celso Dall’Orto, os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia ainda é incerto, mas haverá sim impactos.

“Sabemos que a questão de logística, preços imediatos e preços dos combustíveis, vão ser alterados, mas a duração dessa guerra e o desfecho vão impactar bastante essa questão de energia no mundo”, disse Dall’Orto. “As tecnologias que antes eram vistas como caras, passam a ter um novo olhar, e nisso entram as usinas nucleares, tanto as tradicionais, quanto as pequenas modulares”, complementa.

A matriz elétrica brasileira é composta em imensa maioria de fontes renováveis, porém bastante dependente da hidrologia. Atualmente as hidroelétricas passam por um bom período – depois de uma forte estiagem que trouxe aumento nas contas de energia dos brasileiros – que reduz um pouco o impacto da elevação dos custos. “O ideal numa matriz é a construção de portfólio com diversas fontes, com as mais baratas e imediatas, para garantir a soberania da produção energética”, comentou Dall’Orto.

Energia nuclear no Brasil: como o setor pode deixar de ser olhado como vilão para se tornar de fato uma alternativa limpa?

A energia nuclear é olhada com bastante preconceito. Como dissemos acima, foram os acidentes em usinas e criação de armas nucleares em outros países que estabeleceram a imagem de que o setor é um veneno para humanidade.

A energia nuclear está com força nos projetos de várias nações que pretendem reduzir os custos com energia elétrica e alcançar metas ambientais. As usinas nucleares são capazes de produzir eletricidade em massa e não comprometem as ações e metas para redução de emissões de gases de efeito estufa e descarbonização. No Brasil existem 2 usinas eletronucleares em operação: São elas:

  • Angra 1, primeira usina nuclear brasileira, entrou em operação em 1985
  • Angra 2, que começou a funcionar em 2001.

A energia elétrica gerada por essas duas usinas nucleares abastece uma região com cerca de 3 milhões de pessoas. Ao todo são 1.990 de megawatts de potência.

Com cerca de 70% das obras civis concluídas e 75% dos equipamentos da usina comprados, de acordo com a Eletronuclear, a Angra 3 tem previsão para entrar em operação em 2027. E deve vai gerar energia elétrica suficiente para abastecer 4,5 milhões de brasileiros, com 1,4 gigawatts.

O ministro de Minas Energia, Bento Albuquerque, afirmou que as obras de uma 4ª usina nuclear no país devem começar antes mesmo da conclusão de Angra 3. O projeto faz parte Plano Decenal de Energia 2031.

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