Modelos de motores conhecidos pela durabilidade marcaram gerações de veículos no Brasil e ainda hoje são lembrados pela confiabilidade, pela manutenção simples e pela resistência mesmo em uso intenso.
Motores que combinam projeto simples, peças abundantes e manutenção previsível costumam atravessar centenas de milhares de quilômetros sem dramas.
É nesse grupo que entram Volkswagen AP, Fiat Fiasa, Ford CHT, GM Família II e Honda K20.
Em comum, todos ganharam fama de resistentes no uso diário e, quando bem cuidados conforme o manual, permanecem longes da oficina por muito tempo.
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O que torna um motor durável
Além do desenho robusto, a longevidade está diretamente ligada ao cumprimento do plano de manutenção.
Trocas de óleo nos prazos corretos, uso de peças de qualidade e atenção às recomendações do fabricante são determinantes para que a mecânica chegue inteira a altas quilometragens.
Quando esse roteiro é seguido, os motores abaixo figuram entre os mais confiáveis já vendidos no Brasil.
Volkswagen AP: robustez e manutenção barata
Nascido da família EA827, o AP estreou por aqui em 1985, equipando modelos como Gol e Voyage.
Rapidamente ganhou terreno pela combinação de peças fáceis de encontrar, simplicidade mecânica e alta resistência a uso severo.
Também virou queridinho de preparadores, graças à ampla oferta de componentes e à capacidade de suportar ganho de potência sem abrir o bico.
A despedida do AP nos carros de passeio ocorreu em 2012, na Parati, após quase três décadas de serviço.
Enquanto esteve em linha, o AP apareceu em diversas cilindradas e aplicações, percorreu gerações do Gol e manteve custo de manutenção baixo.
Essa combinação consolidou sua reputação entre proprietários e mecânicos e o colocou entre os motores mais lembrados quando o assunto é confiabilidade.
Fiat Fiasa: simplicidade que atravessou décadas
Criado sob a batuta de Aurelio Lampredi, o Fiasa surgiu em 1976 no Fiat 147 e, depois, alimentou uma linhagem de compactos nacionais.
O segredo foi o projeto simples, com bloco de ferro, cabeçote de alumínio e comando por correia, solução que combinava desempenho adequado ao baixo custo de reparo. No começo dos anos 2000, a chegada do Fire iniciou a transição.
Ainda assim, registros de produção e aplicação indicam que versões 1.5 do Fiasa seguiram em alguns utilitários e versões básicas até a linha 2003/2004, marcando o fim de sua trajetória nas ruas brasileiras.
Na prática, quem conviveu com o Fiasa lembra de revisões baratas e intervalos longos entre intervenções mais complexas.
Para frotistas e quem precisava de carro para o batente, era uma receita de confiabilidade com bom custo-benefício.
Ford CHT: herança francesa, acerto brasileiro
Fruto de uma evolução do projeto Renault Cléon-Fonte, o CHT foi a resposta da Ford do Brasil à necessidade de um motor econômico e suave para a linha de passeio.
A estreia ocorreu na linha 1984 do Escort, seguida por aplicações em Corcel, Del Rey e, mais tarde, em versões de entrada do Gol durante a Autolatina.
A família ainda rendeu o conhecido AE 1.0 no início dos anos 1990. A fase CHT, porém, ficou circunscrita aos anos 1980 e meados dos 1990, quando deu lugar a conjuntos mais modernos.
Mesmo sem números exuberantes, o CHT conquistou espaço pelo consumo moderado e pela resistência no uso urbano.
Em oficinas, é lembrado como um motor de manutenção simples, desde que se respeitem os intervalos e se usem componentes corretos.
GM Família II: de Monza a S10, uma longa carreira
A Família II chegou ao Brasil em 1982 com o Monza e se espalhou por uma lista extensa de modelos, como Kadett, Vectra, Omega, Astra, Zafira, Blazer e S10.
A receita incluía bloco de ferro, cabeçote de alumínio e amplo leque de cilindradas e configurações, do 1.6 carburado aos 2.0 e 2.4 com injeção, incluindo versões 16V.
Nos automóveis de passeio, a atuação se encerrou em 2012, caso da Zafira. Já nas picapes, o último suspiro veio em 2016, quando a S10 abandonou o 2.4 Flex.
Ou seja, foram 34 anos de mercado nacional, uma raridade em qualquer indústria. A robustez e a facilidade de manutenção explicam a longevidade.
Em paralelo, tornou-se popular em projetos de preparação, dada a disponibilidade de peças e a compatibilidade entre diferentes modelos da própria Chevrolet.
Honda K20: giro alto com confiabilidade
Entre os esportivos de rua, o K20 ficou conhecido por unir alta rotação a um nível de confiabilidade que inspirou uma comunidade global de entusiastas.
No Brasil, o motor desembarcou no Civic Si de 2007, na especificação K20Z3 com 192 cv e câmbio manual de seis marchas.
O ciclo nacional dessa configuração foi até 2011. A linha seguinte migrou para o 2.4 K24.
Além do desempenho, o K20 se notabilizou pela robustez do conjunto e pelo histórico positivo em uso intenso, desde trilhas de track day a preparação moderada.
A reputação de “inquebrável” não é fruto do acaso. A engenharia da série K prioriza materiais, usinagem e soluções que reduzem atrito e elevam a resistência do trem de válvulas e do bloco.
Isso ajuda a explicar por que tantos projetos de troca de motor em todo o mundo escolhem a família K como base.
Manutenção em dia é parte da equação
Mesmo os motores mais famosos por aguentarem o tranco dependem de manutenção preventiva para cumprir sua fama.
Óleo no grau correto, combustível de qualidade, arrefecimento revisado e correias e filtros trocados no tempo certo são o caminho para atravessar anos de uso sem surpresas.
Fora isso, conhecer as particularidades de cada projeto — como folgas, torques e prazos de inspeção — é o que separa um bom histórico de um cronograma de visitas à oficina.
Dito isso, qual desses motores marcou sua vida — e por que ele merece ou não a fama de “inquebrável”?
É triste uma empresa como a Ford tirar o velho, porém eficiente motor CHT 1,6 para colocar o jurassico motor Endura. Tive uma courier 1,3 endura tinha só 60 cvs. Absurdo. Um CHT a alcool carburado tinha 80 cvs. Com injeção multiponto iria para una 85 cvs. Bom para uma picape carregada. A Ford tinha uma opção 1,4 com um motor ohc de alumínio de 16 válvulas. Mas não tinha torque em baixa. Só com o bom Rocam 1,6 a Ford voltou a ter um bom motor. Mas todo mundo abandonou a Ford por causa do endura.