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Vacina brasileira contra dengue do Butantan é suspensa temporariamente após duas mortes suspeitas e coloca Anvisa e Ministério da Saúde em alerta nacional

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 08/06/2026 às 22:23
Atualizado em 08/06/2026 às 22:27
Frasco da vacina Butantan-DV contra a dengue em destaque diante da embalagem do imunizante, representando a suspensão temporária da vacinação após investigação de eventos adversos no Brasil.
Ministério da Saúde suspendeu preventivamente a aplicação da vacina Butantan-DV enquanto Anvisa e Instituto Butantan investigam eventos adversos registrados após a imunização.
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Ministério da Saúde interrompeu preventivamente a aplicação da Butantan-DV enquanto investiga eventos adversos raros após cerca de 500 mil doses aplicadas.

Uma decisão de forte impacto na saúde pública brasileira colocou a vacina da dengue do Butantan no centro das atenções nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026.

O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da Butantan-DV após o registro de duas mortes suspeitas e eventos adversos graves entre pessoas imunizadas.

A medida, segundo o governo federal, é preventiva. Portanto, não confirma relação direta entre a vacina e os casos investigados.

Até 30 de maio de 2026, cerca de 500 mil doses haviam sido aplicadas no país. Nesse universo, o Ministério da Saúde registrou 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% dos vacinados.

Entre essas notificações, 42 casos apresentaram sinais de alarme compatíveis com dengue grave, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. Esse grupo representa 0,008% do total de imunizados.

Investigação técnica apura casos graves após vacinação

A suspensão foi recomendada pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância, após análise das notificações feitas pelos sistemas municipais, estaduais e federais de vigilância.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, três casos foram classificados como graves. Desse total, dois evoluíram para óbito.

O primeiro caso grave envolveu uma mulher de 39 anos, que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Posteriormente, ela evoluiu para dengue grave, precisou de UTI, mas se recuperou.

Outro caso envolveu uma mulher de 48 anos, que apresentou sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina. O quadro incluiu comprometimento neurológico e meningoencefalite.

O terceiro caso envolveu um homem de 58 anos, que teve febre cinco dias depois da imunização. Em seguida, ele evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário.

Até agora, segundo o Ministério da Saúde, não há dados suficientes para confirmar relação causal entre a vacina e os óbitos. Ainda assim, a interrupção foi adotada por segurança.

Butantan-DV era aplicada em dose única no Brasil

A Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue aplicada em dose única e também a primeira totalmente brasileira.

No início de 2026, a campanha priorizou profissionais de saúde, que receberam cerca de 417 mil doses.

Outras 83,6 mil doses foram aplicadas em pessoas de 15 a 49 anos em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO).

Segundo o Ministério da Saúde, essas localidades não registraram eventos adversos relevantes entre os moradores vacinados.

Estados e municípios devem pausar novas aplicações

Estados e municípios deverão suspender novas aplicações da vacina da dengue do Butantan enquanto a apuração continua.

O Ministério da Saúde também informou que fará reuniões com as cidades para reforçar a busca ativa por possíveis reações adversas.

Pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem observar sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura e sangramentos.

Também exigem atenção sinais como sonolência intensa, irritabilidade, desidratação e piora do estado geral.

Caso esses sintomas apareçam, a orientação é procurar acompanhamento da secretaria de saúde local.

Anvisa, PNI e Butantan acompanham os próximos passos

A Anvisa notificou o Instituto Butantan e deverá convocar um comitê de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica.

Paralelamente, o Instituto Butantan ficará responsável por analisar os dados disponíveis e apresentar novas informações às autoridades sanitárias.

Em nota, o instituto afirmou que seguirá a orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa. Também reforçou seu compromisso com o rigor científico e a segurança da população.

Segundo o Butantan, a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e 89% de proteção contra dengue grave em estudo publicado na revista científica Nature.

Suspensão não interfere na vacina Qdenga

A medida não afeta a aplicação da Qdenga, vacina desenvolvida pela farmacêutica Takeda e incorporada ao Programa Nacional de Imunizações no final de 2023.

Atualmente, a Qdenga segue disponível gratuitamente no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

A suspensão da Butantan-DV permanece temporária e preventiva. Agora, a dúvida central é saber quando as investigações trarão respostas suficientes para definir o futuro da primeira vacina brasileira contra a dengue, não é?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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