Relatório da Petrobras apontava alto risco do projeto sondas e foi ignorado

Sete brasil
 

Relatório da Comissão interna de apuração da Petrobras em 2016 apontava 82% do projeto sondas do pré sal dar prejuízos e foi ignorado na época pelo governo

Um relatório final de uma Comissão Interna de Apuração da Petrobrás concluído em 2016 foi anexado às investigações da Operação Lava Jato em Curitiba e reforça a delação premiada de Antônio Palocci, que acusa Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff de atuarem criminosamente para viabilizar o “Projeto Sondas” e que culminou na criação da Sete Brasil.
Segundo o documento riscos de engenharia e prejuízos superiores a US$ 16 bilhões no projeto de construção e afretamento de 28 navios-sondas para explorar o petróleo do pré-sal eram conhecidos e foram desconsiderados.

Segundo a delação de Palocci dos dias 07 e 08/12, no Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, foi pago de propina 1% dos contratos, que totalizaram US$ 22 bilhões.
Estes contratos tinham por objetivo a construção de 28 sondas em estaleiros no Brasil, foi ordenada pelo ex-presidente Luis Ignácio Lula da Silva e tinha como objetivo viabilizar o projeto político de nacionalizar a indústria naval e no âmbito eleitoral, de arrecadar recursos ilícitos para “quatro ou cinco” campanhas do PT.
Entre outros atos, os dois petistas teriam exigido arrecadação de recursos dos estaleiros e ainda cobrado dos dirigentes dos fundos de pensão de estatais federai Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal) a investirem no negócio, sem avaliar, com os presidentes descumprindo critérios internos dos fundos.

O relatório

A Petrobras decidiu apurar internamente o caso devido as delações premiadas de dois ex-executivos da estatal e da Sete Brasil: Pedro Barusco, que disse que o pacote de 28 sondas envolvia pagamento de 1% de propinas ao PT e aos executivos das estatais e João Carlos de Medeiros Ferraz, ex-executivo da área financeira da Petrobrás que foi o primeiro presidente da Sete Brasil, que também afirmou a necessidade de repasse de dinheiro ao PT através do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, que está preso desde 2015 e condenado, ele nega todas acusações.

A Comissão Interna de Apuração DIP DE&P 251/2015 da Petrobras concluiu que foram ignorados estudos técnicos, como por exemplo, o que apontava que a “contratação de 28 sondas de uma só vez a serem construídas no Brasil tinha 82% de probabilidade de gerar perdas bilionárias para a empresa”, assim como riscos e possibilidades de irregularidades nas contratações dos estaleiros e operadores dos equipamentos.

A Sete Brasil

Fundada em 2008 a empresa foi fundada após a Petrobras declarar a necessidade de 40 novos navios sondas, ao custo de US$ 800 milhões em média cada uma, para explorar o petróleo do pré-sal, na Bacia de Santos. Lula, então presidente, teria declarado “Ou nós investimos e criamos empregos aqui, ou a Petrobrás economiza US$ 100 milhões e compra as sondas de Cingapura”. Segundo as delações, porém, os executivos que pediram a propina não estavam interessados no sucesso do projeto e sim no próprio enriquecimento.

Após a comissão passar quase um ano analisando todos os procedimentos e documentos produzidos no projeto, foi constatado que os riscos eram muito e foram ignorados, mesmo com a criação do GT (Grupo de Trabalho) projeto Sondas, que foi acusado de analisar muito superficialmente a situação dos estaleiros e canteiros (muitos em fase de construção). Os estaleiros envolvidos foram o Enseada Paraguaçu, na Bahia, BrasFELS, no Rio de Janeiro, Aracruz Jurong, no Espírito Santo, Atlântico Sul, em Pernambuco, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Três deles controlados por empreiteiras nacionais, como Odebrecht, OAS, UTC, Engevix, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão (do cartel acusado na Lava Jato de fatiar obras de refinarias desde 2004).

O trabalho de apuração interno da Petrobrás revela que no relatório de conclusão dos trabalhos do GT Projeto Sondas em junho de 2009 não foi considerada a informação de que “havia 10% de chance destas perdas serem superiores a US$ 16 bilhões”. “Na conclusão do GT não foi dada ênfase a esse risco.”
A Sete Brasil interrompeu em novembro de 2014 o pagamento aos estaleiros e quebrou apenas 5 anos depois de fundada e dos 28 navios-sondas contratados com os cinco estaleiros no Brasil, quatro apenas serão entregues (em estágio mais avançado de construção), e com atraso, pois deveriam estar funcionando desde 2016, os demais contratados foram cancelados.

Vejam os novos planos de perfuração das empresas no Pré-sal !

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Renato Oliveira

Renato Oliveira

Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki) inspecionando e acompanhando técnicas de fabricação e montagem de estruturas/tubulações/outfittings(acabamento avançado) para casco de Drillships