Brasil e Índia trocarão informações sobre políticas e práticas para iniciativas através de um grupo de trabalho conjunto formado por representantes das Relações Exteriores e dos Ministérios de Energia
O governo do Brasil publicou esta semana a versão final do memorando de entendimento com a Índia para desenvolver iniciativas conjuntas na indústria de bioenergia. O objetivo do acordo é buscar cooperação para o setor de energia como a produção de etanol, biodiesel, bioquerosene, biogás e outros combustíveis, como os de biomassa.
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“Os EUA são um grande player no setor de etanol e não querem abrir seu mercado. Enquanto isso, a Índia também é muito forte nesse setor e, para não ter mais um concorrente, o Brasil decidiu se alinhar a ela para tentar ter mais peso nas definições de preços, tecnologias e possíveis negociações no futuro ”, informou Vinícius Vieira, professor do Instituto de Relações Internacionais da FGV, ao portal BNamericas.
Inicialmente, os países trocarão informações sobre políticas e práticas para iniciativas de bioenergia por meio de um grupo de trabalho conjunto formado por representantes das Relações Exteriores e dos Ministérios de Energia. O negócio foi anunciado pela primeira vez em janeiro, quando o presidente brasileiro Jair Bolsonaro visitou a Índia.
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A Índia já é um parceiro de longa data do Brasil no setor de energia. Os países tiveram acordo semelhante de cooperação tecnológica para mistura de etanol em combustíveis de transporte entre 2002 e 2004. No primeiro semestre de 2020, o país asiático foi o terceiro maior importador de petróleo brasileiro, comprando 1,9Mt (milhão de toneladas), atrás China e EUA.
“Para o Brasil, é muito interessante ter uma alternativa para a China na Ásia. Se o Brasil estiver alinhado com a Índia em etanol e outras questões energéticas mais amplas, o país poderá negociar melhor com os chineses ”, disse Vieira.
O Brasil deve se tornar um dos cinco maiores exportadores de petróleo do mundo devido ao rápido crescimento esperado na produção da região do pré-sal nos próximos anos, e a Índia pode ser um importante aliado nesse contexto. A Índia é o terceiro maior consumidor de petróleo do mundo e espera-se que a taxa de crescimento de seu consumo ultrapasse a da China em meados da década de 2020, segundo informações da Agência Internacional de Energia.
Demanda de energia da Índia em aumento
Além disso, a demanda de energia da Índia pode dobrar até 2040, com a demanda de eletricidade potencialmente triplicando como resultado do aumento da propriedade de aparelhos elétricos. Enquanto isso, o potencial de produção de energia do Brasil para as próximas décadas é muito maior do que o consumo esperado, de acordo com seu plano de expansão de energia para 2050, que foi colocado em consulta pública no início deste ano.
O país asiático também tem vasta experiência em iniciativas de refino e, no início deste ano, a Reuters informou que o grupo indiano Essar poderia estar interessado em fazer ofertas para ativos no programa de desinvestimento da Petrobras para refinarias.
O Brasil também poderia se beneficiar da capacidade de investimento da Índia, aproveitando as semelhanças ideológicas entre Bolsonaro e o primeiro-ministro Narendra Modi. A empresa indiana de transmissão de energia Sterlite já vem fazendo incursões no mercado brasileiro, participando de recentes licitações.
“Acredito que o Bolsonaro percebeu que, além da afinidade com Modi, no que diz respeito aos estilos populistas de direita, também há afinidades na forma como lidam com o mercado. Hoje a Índia tem muito dinheiro, com altas taxas de poupança, então tem capital para investir e o Brasil precisa de investimento estrangeiro ”, disse Vieira.
Estreitar relações com a Índia também é visto como um movimento geopolítico estratégico da nação sul-americana em meio ao conflito entre China e Índia e a guerra comercial entre os EUA e a China. “O Brasil tem uma grande oportunidade de explorar esses conflitos e se alinhar momentaneamente à Índia como garantia de possíveis tensões”, acrescentou o professor da FGV.
*Fonte: BNamericas

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