Empresário japonês volta a marcar o leilão de Ano Novo em Tóquio ao arrematar um atum-rabilho histórico, elevando preços, reacendendo debates sobre tradição, mercado e sustentabilidade, e colocando novamente o Japão no centro das atenções do comércio global de pescados.
O empresário japonês Kiyoshi Kimura, conhecido no setor como o “Rei do Atum” e ligado à rede de restaurantes Sushizanmai, pagou 510,3 milhões de ienes, o equivalente a cerca de US$ 3,2 milhões, por um atum-rabilho de 243 quilos no tradicional leilão de Ano Novo do mercado de Toyosu, em Tóquio.
A compra, realizada na madrugada de 5 de janeiro de 2026, representou o maior lance já registrado desde que o evento passou a ser acompanhado de forma sistemática, em 1999.
O peixe arrematado foi capturado nas proximidades da cidade de Oma, no extremo norte do Japão, região conhecida por fornecer atuns considerados de alta qualidade para o mercado japonês.
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O valor pago chamou atenção de participantes do próprio leilão e ganhou repercussão internacional, impulsionada pela magnitude da cifra envolvida.
Leilão de Ano Novo em Tóquio registra maior lance da história
Após o encerramento do pregão, Kimura afirmou que esperava adquirir o atum por um valor inferior, mas relatou que os lances subiram rapidamente.
“Eu achei que poderia comprar um pouco mais barato, mas o preço disparou num piscar de olhos”, disse o empresário, de acordo com registros da imprensa estrangeira que acompanhou o leilão.
O mercado de Toyosu realiza leilões de atum diariamente, mas o evento de Ano Novo tem caráter simbólico e costuma registrar valores acima da média.
Especialistas em comércio de pescados explicam que, nessa ocasião, o primeiro atum vendido do ano tende a alcançar preços elevados por razões que vão além da negociação comercial, como tradição e visibilidade para os compradores.
Recordes anteriores ajudam a dimensionar a alta de 2026
O lance de 510,3 milhões de ienes superou o recorde anterior, estabelecido em 2019, quando um atum-rabilho de 278 quilos foi arrematado por 333,6 milhões de ienes.
Naquele ano, Kimura também esteve associado ao maior valor do leilão inaugural, reforçando sua presença recorrente nos episódios mais caros do evento.
Em 2025, o maior preço registrado no leilão de abertura havia sido de 207 milhões de ienes por um peixe de 276 quilos.
A diferença em relação ao valor alcançado agora indica uma alta expressiva em comparação com os anos imediatamente anteriores.

Avaliação técnica influencia o valor do atum-rabilho
Segundo comerciantes e analistas do setor, o preço final pago em leilões como o de Toyosu resulta de uma combinação de fatores.
Além do peso e da procedência do peixe, os compradores avaliam características como cor, textura e teor de gordura, aspectos considerados essenciais para a preparação de sushi e sashimi.
No leilão de Ano Novo, esses critérios técnicos se somam ao valor simbólico da ocasião.
Observadores do mercado apontam que muitos restaurantes encaram o arremate do primeiro grande atum do ano como uma forma de reforçar a imagem da marca, mesmo que o preço pago não reflita o valor médio praticado ao longo do ano.
Pandemia reduziu preços e mudou dinâmica do mercado
O recorde registrado em 2026 contrasta com o período da pandemia de Covid-19, quando restrições sanitárias e a redução das atividades de restaurantes afetaram diretamente o consumo de peixes de alto valor.
Naquele contexto, os preços de atuns em leilões e no mercado atacadista ficaram abaixo dos níveis históricos, segundo dados e relatos divulgados à época.
Com a retomada gradual do consumo presencial, os valores voltaram a subir, acompanhando a normalização das atividades do setor de alimentação fora do lar.
Ainda assim, analistas ressaltam que os preços podem variar significativamente de um ano para outro, especialmente em leilões marcados por forte carga simbólica.


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