Plataformas deixam de ser desmontadas por falta de regras

Plataformas de Petróleo
 

Falta de regras de descomissionamento prejudicam a indústria e o meio ambiente e organizações não governamentais acusam a Petrobras de só ter regras para a exploração e produção

A falta de uma política que estabeleça parâmetros para a desativação das plataformas de Petróleo atuantes no Brasil, está preocupando os órgãos de defesa do meio ambiente. O vazamento na FPSO Cidade do Rio de Janeiro, operada pela Modec, ocorrido no início do ano, trouxe á tona de vez por todas a necessidade de entendimento do governo e da Petrobras, no sentido de estabelecer regras de descomissionamento destes equipamentos.

O agravante é que a plataforma já deveria ter sido desmontado desde o ano passado e o vazamento no litoral carioca de aproximadamente 4,9 mil litros de óleo cru, criou uma mancha de petróleo de 38 quilômetros de extensão por 20 metros de largura.

Por diversas vezes também citamos aqui no portal Click Petróleo e Gás que a indústria do descomissionamento é a nova “bola da vez” no mercado offshore, porém a falta destas regras travam os negócios, pois até hoje, as petroleiras tem dúvidas básicas, como por exemplo, se ao encerrar a produção de uma plataforma, as empresas são responsáveis ou não por recolher os dutos e os equipamentos que estão no fundo do mar.

Tais regras poderiam ter evitado o vazamento da FPSO da Modec, pois há mais de seis meses, mais precisamente no dia 13 de junho, a Petrobras entregou ao Ibama seu plano de desativação da plataforma, mas não o fez, pela não aprovação do órgão ambiental, que considerou o documento incompleto.

Uma versão revisado do plano só foi entregue quase seis meses depois, no dia 7 de dezembro, que ainda está sendo analisado. O vazamento, porém aconteceu na primeira semana de janeiro deste ano.

Contrasenso

Embora seja reconhecida mundialmente pela tecnologia em prospectar em águas profundas, podemos dizer que é um contrasenso, a Petrobras ter regras definidas apenas para a implantação das plataformas e não as ter para sua desmobilização.

Segundo a ANP, a Petrobras possui, hoje, 134 plataformas de petróleo operando na costa brasileira. Destas, 35 são do tipo flutuante, como a Cidade do Rio de Janeiro e outras 99 plataformas são de outros modelos, incluindo estruturas fixas e outras submersíveis. Todas, porém, em algum momento, terão de ser desativadas, sendo que oito delas serão nos próximos anos.

Uma prova que o assunto precisa ser debatido para uma versão final de regras, é por exemplo, a posição de alguns técnicos que afirmam que como a plataforma fica muito tempo estacionado em determinado local, o ecossistema acaba se adaptando à estrutura instalada e sua remoção por completo não seria aconselhável.



Já outra corrente de especialistas afirmam que a empresa deve retirar tudo que instalou, como dutos, equipamentos e válvulas e prover a inteira recuperação do local, de modo a eliminar o impacto ambiental.

Regras vigentes em outros países, deveriam ser usadas como base para elaboração das normas brasileiras. Na Inglaterra a lei rege que deva ser retirada 100% das estruturas utilizadas pelas empresas.

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Sobre Renato Oliveira

Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki) inspecionando e acompanhando técnicas de fabricação e montagem de estruturas/tubulações/outfittings(acabamento avançado) para casco de Drillships