Petroleira Total convida ONGs para visitar poço na Guiana Francesa

 

Após “não” do IBAMA no Brasil, petroleira toma a atitude para tentar melhorar sua imagem na França.

A petroleira francesa Total convidou ONGs para visitar áreas de exploração na Guiana Francesa, onde começará, em breve, várias atividades de perfuração a 150 km da costa. Como a atitude da empresa francesa foi quatro dias depois do IBAMA negar seu pedido de perfuração na bacia do Foz do Amazonas, especula-se que a ação seja com a intenção de “limpar a barra” da empresa em sua terra natal, ainda mais depois das demonstrações de apoio dadas pelas ONGs em relação ao caso de Foz do Amazonas.

A Total divulgou, em comunicado oficial á imprensa, reforçando seu compromisso de trabalhar com transparência e fez o convite a ONGs para visitar o local das prospecções. Destacou ainda, a prioridade que será dada a segurança da embarcação que navegará até o poço, visto que a legislação francesa proíbe a aproximação, a menos de 500 metros, de qualquer embarcação não autorizada, justamente para impedir ações como as do Greenpeace.

No comunicado a Total afirmou que não está perfurando perto de recifes de coral e sim a 30 Km de distância de um recife e que este não é um coral. A empresa conseguiu a licença em 2001, que foi estendida, após pedido em 2016, até setembro de 2017. A área de permissão tem 24 mil quilômetros quadrados além da plataforma continental da Guiana e a perfuração está no centro desta área, a intenção é perfurar o último poço (já foram perfurados 5 entre 2011 e 2013), para verificar se a área tem potencial para exploração ou não.

Reação francesa

As causas ambientalistas na França mobilizam milhares de pessoas e o greenpeace comemorou a negativa do Ibama no Brasil, e disse que a decisão, após dois anos de luta, foi uma vitória histórica para o recife da Amazônia. No início do mês, porém foi marcado pela decisão do governo francês de Emmanuel Macron, de aumentar o Diesel para estimular o uso da gasolina foi o estopim que levou milhares de franceses as ruas em protesto dos gilet jaunes (coletes amarelos na tradução para português). Macron voltou atrás, mas isso não foi capaz de terminar com os protestos.

Os corais da Amazônia tem sido o pivô de muita discussão em relação a permissão para empresas petrolíferas perfurarem em suas proximidades, os ambientalistas, mais precisamente o Greenpeace, acompanham de perto os licenciamentos, após a descoberta de uma área de cerca de 9,5 quilômetros quadrados de recife de corais capazes de sobreviver nas águas turvas da Amazônia.

A australiana BHP, devolveu a ANP no início do ano, a concessão dos blocos exploratórios FZA-M-257 e FZA-M-324, em águas rasas da Foz do Amazonas, poços estes que havia arrematado por mais de R$ 30 milhões.

A Petrobras e a Total adquiriram 3 lotes do pré-sal no último leilão da PPSA. 

Sobre Renato Oliveira

Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki) inspecionando e acompanhando técnicas de fabricação e montagem de estruturas/tubulações/outfittings(acabamento avançado) para casco de Drillships