A hora do leilão reverso nas licitações da Petrobras

Sistema de licitação

Novo formato tem ganhado espaço nas licitações da Petrobras e tem agitado o mercado que tem encontrado dificuldades em se adaptar

O modelo de leilão reverso, amparado pela Lei das Estatais (13.303/2016), tem sido cada vez mais frequente nas licitações da Petrobras.
Mais recentemente o modelo foi usado na contratação de Unidades de Manutenção e Serviço (UMS), em serviços de construção e montagem (C&M) e na licitação de afretamento de sondas ancoradas.

A Petrobras considera o novo modelo como uma evolução no processo de licitação e caiu bem a calhar nestes tempos de muita oferta e preços do petróleo em baixa.
O modelo permite a empresa apresentar sua proposta, através do portal de compras da Petrobras (Petronect) e logo após ter acesso aos preços de seus concorrentes, sem saber os seus nomes.

Os participantes podem então ofertar novos lances diminuindo o valor das propostas e acompanhar o processo via portal, caso a diferença de preço entre o primeiro e o segundo ficar em menos de 10%, a comissão de licitação pode abrir um novo leilão com todos os participantes.

Segundo a Petrobras, o grande ganho do sistema de leilão reverso é a redução dos custos com o processo e do tempo que se gastava, agora pode se saber o vencedor no mesmo dia ao contrário do modelo convencional, que costumava se arrastar até por um ano.
A concorrência de afretamento do FPSO de Búzios V, um dos projetos prioritários da petroleira, por exemplo, já se arrasta por quase dois anos.

O novo modelo também tem aumentado o número de participante nas licitações, em recente contratação de serviços de Construção e Montagem, o número quase chegou a 50 empresas, bem acima da média das licitações.
No caso da licitação da UMS, foram 10 empresas, ofertando 16 embarcações e um total de 87 lances até se conhecer o vencedor.

Opiniões sobre o modelo

Para a Petrobras, o sistema é mais eficiente e propício para o atual momento, porém quando o mercado reaquecer e ela deixar de ser a única contratante no país, é bem possível de que se volte ao modelo convencional. Grandes empresas como a Shell, Equinor e Exxon começarão também a fazer encomendas e possivelmente esta decisão da Petrobras terá que ser revista.

Na opinião das empresas, o modelo de leilão reverso não é o mais adequado quando se trata de equipamentos de grande porte e complexos, como por exemplo, uma sonda de perfuração e que ele somente funciona bem, para itens pequenos e simples, como canetas e papel.

Para o mercado o novo modelo veio em hora errada, pois no momento enfrentam baixa demanda e de muita queda nos preços dos equipamentos, como a queda no aluguel de uma sonda, que antes da crise girava em torno de US$ 500 mil/dia e hoje está entre cerca de US$ 100 mil e US$ 200 mil.

Vocês viram que a Petrobras inicia contrato de 8 anos com DOF Subsea e TechnipFMC ? Saiba os detalhes aqui !

Curso de Salvatagem + HUET

Renato Oliveira

About Renato Oliveira

Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki)