Menino de 2 anos usou o celular da mãe durante um almoço em família e fez uma compra inesperada em aplicativo de loja, com cartão e endereço já cadastrados. Caso chamou atenção pelo valor do sofá, pela entrega surpresa e pelos cuidados necessários em compras online.
Matias, de 2 anos, comprou sozinho um sofá de R$ 1.957,89 pelo celular da mãe durante um almoço em família, em Vila Velha, na Grande Vitória.
De acordo com o g1, a compra ocorreu em 31 de maio, por meio de um aplicativo de uma loja de móveis e eletrodomésticos, e só foi descoberta em 02 de junho, quando o entregador chegou ao endereço da avó da criança, no bairro Santa Mônica.
O pedido saiu pela conta da publicitária Giselle Madeira, mãe do menino, que já mantinha o cartão de crédito cadastrado no aplicativo e o endereço de entrega salvo. Com esses dados registrados, a compra foi concluída em apenas um clique e parcelada em dez vezes.
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A família só percebeu a situação depois que Giselle recebeu uma ligação do entregador, que informou estar no local indicado para deixar o sofá. Sem desconfiar da origem do pedido, ela avisou a irmã, a microempresária Monike Madeira, para receber o produto no portão.
Compra de sofá foi descoberta na entrega
A surpresa começou quando as irmãs passaram a questionar a origem do sofá, segundo relato feito por Giselle nas redes sociais e reproduzido pelo g1. Ao chegar ao trabalho, a publicitária encontrou várias mensagens perguntando quem havia comprado o móvel.
Naquele momento, Monike acreditou que Giselle tivesse comprado o sofá como presente para a mãe, que estava reformando a casa. A hipótese parecia plausível para a família, já que a avó de Matias passava por uma obra na semana anterior.

Giselle, porém, negou ter feito qualquer compra e acessou o aplicativo da loja para verificar o histórico. Foi então que constatou que o pedido havia sido realizado por sua conta, com o cartão de crédito cadastrado e o endereço da mãe salvo para entrega.
A partir dessa conferência, as irmãs tentaram reconstruir o que havia acontecido e lembraram que Matias usou o celular da mãe durante o almoço em família para tirar fotos dos parentes. A comparação entre o horário das imagens e o horário do pedido ajudou a esclarecer o caso.
Pelos registros, Giselle concluiu que o menino havia acessado o aplicativo e finalizado a compra sem perceber. Conforme Monike contou ao g1, Matias não costuma ter acesso livre ao celular e assiste a vídeos apenas pela televisão.
De um tempo para cá, no entanto, a criança começou a pedir o aparelho para tirar fotos. Durante o almoço, ele passou pelas cadeiras fotografando os familiares, momento em que teria feito a compra sem que os adultos percebessem.
Pedido foi feito com cartão já cadastrado
O caso chamou atenção porque a compra foi concluída com poucos toques na tela, sem a necessidade de inserir novos dados de pagamento ou endereço. Como o cartão de crédito e o local de entrega já estavam salvos, o pedido foi finalizado rapidamente.
Ao todo, o sofá custou R$ 1.957,89 e foi parcelado em dez vezes. A entrega foi direcionada para a casa da avó da criança, em Santa Mônica, bairro de Vila Velha, na Região Metropolitana de Vitória.
Depois de identificar a origem do pedido, Giselle tentou encontrar uma forma de cancelar a compra pelo aplicativo. Segundo ela relatou nas redes sociais, a plataforma indicava que o produto não poderia mais ser devolvido porque já estava com a transportadora.
A orientação exibida no sistema era de que, para recusar a entrega, o produto não deveria ser recebido. O impasse surgiu porque Monike já havia aceitado o sofá a pedido da própria Giselle, antes de a família descobrir que a compra tinha sido feita por Matias.
Com a situação esclarecida, as irmãs resolveram o problema dentro da própria família. Monike decidiu ficar com o móvel e assumir o pagamento das parcelas para Giselle, encerrando a confusão causada pela compra inesperada.
Direito de arrependimento vale para compra online

Apesar da solução encontrada pela família, o g1 ouviu a advogada cível Suellen Mendes, especialista em relações de consumo, para explicar quais seriam os direitos da consumidora caso Monike não tivesse ficado com o sofá.
Segundo a advogada, Giselle poderia devolver o produto com base no direito de arrependimento, previsto para compras feitas fora de lojas físicas, como aquelas realizadas por sites ou aplicativos. Nessa situação, a desistência pode ocorrer mesmo sem defeito no produto.
A especialista explicou que o consumidor tem até sete dias, contados a partir da data de recebimento, para comunicar a desistência à loja. Dentro desse prazo, é possível solicitar a devolução do item e receber o reembolso do valor pago.
Suellen Mendes também afirmou ao g1 que os custos de envio e retirada do produto ficam sob responsabilidade do fornecedor. Dessa forma, a loja deve garantir que o cliente consiga exercer esse direito quando a compra tiver sido concluída em ambiente online.
Outro ponto destacado pela advogada é que o simples recebimento do produto não impede o direito de arrependimento. Conforme explicou a especialista, a impossibilidade mencionada no aplicativo dizia respeito ao cancelamento antes da entrega, não à devolução depois do recebimento.
Após receber o sofá, portanto, a consumidora ainda poderia pedir a devolução dentro do prazo legal. A regra vale para compras online mesmo quando o produto está em perfeito estado e corresponde exatamente ao item adquirido.
Cartão salvo em aplicativo exige cuidado
O episódio também levantou um alerta sobre o uso de celulares por crianças e sobre a prática de manter cartões de crédito cadastrados em aplicativos de compra. Ao comentar o caso, Giselle afirmou que tirou duas lições da situação.
Para a mãe de Matias, o ocorrido reforçou a importância de não deixar o celular nas mãos de crianças sem supervisão e evitar manter cartão salvo em aplicativos. A recomendação ganhou peso porque a compra foi concluída sem barreiras adicionais de confirmação.
A advogada Suellen Mendes reforçou ao g1 que uma medida importante é ativar mecanismos de confirmação antes de qualquer pagamento. Senha, reconhecimento facial ou biometria podem dificultar compras feitas por crianças ou por terceiros sem autorização.
Na avaliação da especialista, a orientação vale tanto para aplicativos de lojas quanto para carteiras digitais e pagamentos por aproximação no próprio celular. A dupla verificação funciona como uma camada extra de segurança antes da conclusão de uma compra.
Além do risco de compras acidentais feitas por crianças, cartões salvos em ambientes digitais também podem facilitar a atuação de criminosos, segundo a advogada. Por isso, a orientação é evitar o armazenamento de dados bancários em aplicativos, mesmo quando isso torna a compra mais rápida.
O caso de Matias terminou sem prejuízo direto para a família, já que a tia decidiu ficar com o sofá e pagar as parcelas. Ainda assim, a situação expôs como compras online podem ser concluídas rapidamente quando dados de pagamento e entrega já estão cadastrados.

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