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Cosmonauta soviético saiu da Terra para uma missão comum, ficou 311 dias preso na estação Mir e voltou como o “último cidadão” de um país que já tinha desaparecido

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 20/05/2026 às 14:28
Atualizado em 20/05/2026 às 14:31
Sergei Krikalev em traje espacial laranja durante evento oficial, com bandeiras e imagem da estação espacial ao fundo após missão histórica na Mir
Cosmonauta Sergei Krikalev tornou-se símbolo da transição entre a União Soviética e a Rússia após passar 311 dias na estação espacial Mir.
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Sergei Krikalev decolou em 1991, acompanhou o colapso da União Soviética em órbita e retornou em março de 1992 como símbolo da transição espacial russa

Uma missão espacial iniciada em 19 de maio de 1991 entrou para a história por causa de um acontecimento geopolítico raro.

O cosmonauta Sergei Krikalev partiu na nave Soyuz TM-12 rumo à estação espacial Mir, ainda como cidadão da União Soviética.

Durante a permanência em órbita, Krikalev realizava experimentos, tarefas técnicas e manutenções na estação. O país que o havia enviado ao espaço, porém, enfrentava sua dissolução definitiva.

A trajetória fez com que ele ficasse conhecido como “o último cidadão soviético” e também como “o cosmonauta esquecido”.

Missão na Mir começou antes do colapso soviético

Sergei Krikalev no interior da estação Mir, cercado por equipamentos espaciais e observando a Terra pela janela durante missão orbital soviética.
Sergei Krikalev dentro da estação espacial Mir durante missão histórica que coincidiu com o colapso da União Soviética em 1991.

A permanência de Krikalev seguiria, inicialmente, o cronograma previsto para missões espaciais da época.

Em julho de 1991, o engenheiro de voo aceitou prolongar sua estadia na estação Mir por ajustes operacionais.

Na prática, dois voos planejados foram reduzidos a apenas um. A mudança obrigou Krikalev a permanecer em órbita até a chegada da próxima tripulação.

A União Soviética, nesse mesmo período, mergulhava em forte instabilidade política, econômica e administrativa.

País desapareceu enquanto cosmonauta seguia em órbita

Krikalev continuou executando experimentos científicos e atividades de manutenção durante a crise soviética.

O suporte terrestre e o financiamento do programa espacial enfrentavam impasses cada vez maiores.

Em 25 de dezembro de 1991, a União Soviética deixou oficialmente de existir.

Krikalev havia saído da Terra por uma nação que já não existia no momento de seu retorno. A história, por isso, ganhou enorme repercussão internacional.

Retorno aconteceu após acordo com a Alemanha

Sergei Krikalev voltou à Terra em 25 de março de 1992, após 311 dias no espaço.

Na época, a Alemanha pagou US$ 24 milhões à Rússia para enviar o piloto Klaus-Dietrich Flade à estação Mir.

A missão alemã ajudou a viabilizar o retorno do cosmonauta, que havia permanecido em órbita por muito mais tempo que o previsto.

Krikalev pousou em um cenário completamente diferente daquele deixado em maio de 1991. A União Soviética havia desaparecido, e a Rússia iniciava uma nova fase política e espacial.

Reconhecimento transformou Krikalev em símbolo histórico

Sergei Krikalev em coletiva oficial da Roscosmos, usando terno e microfone diante de painel azul do programa espacial russo.
Sergei Krikalev durante coletiva ligada ao programa espacial russo após se tornar um dos cosmonautas mais emblemáticos da história da estação Mir.

O retorno rendeu a Krikalev o título de Herói da Rússia.

O cosmonauta já possuía também a distinção de Herói da União Soviética, reforçando sua importância em dois períodos históricos.

Nos anos seguintes, Krikalev participou de missões fundamentais para a exploração espacial.

Entre elas, estiveram a montagem inicial da Estação Espacial Internacional e voos conjuntos entre Rússia e Estados Unidos.

Ao todo, Krikalev acumulou mais de um ano e cinco meses de experiência no espaço.

Sua trajetória passou a simbolizar a transição entre a era soviética e a cooperação espacial internacional.

A história de Sergei Krikalev mostra como uma missão técnica acabou atravessando uma mudança geopolítica gigantesca. Afinal, quantas pessoas já deixaram a Terra por um país e voltaram quando ele não existia mais?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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