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Caneta emagrecedora ainda sem aprovação vira assunto mundial após estudo indicar perda de peso parecida com bariátrica, enquanto versões clandestinas da retatrutida aparecem na fronteira

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 08/06/2026 às 22:36
Atualizado em 08/06/2026 às 22:38
Pessoa aplicando caneta injetável no abdômen, em imagem ilustrativa sobre retatrutida, perda de peso e alerta para uso ilegal antes da aprovação.
Imagem ilustrativa mostra aplicação de caneta injetável, tema ligado ao estudo sobre retatrutida e aos alertas sobre venda ilegal da substância.
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Pesquisa publicada na Lancet mostra que a retatrutida reduziu até 28,3% do peso em adultos com diabetes tipo 2, mas produto ainda não tem aprovação sanitária.

Uma nova pesquisa sobre a retatrutida chamou atenção mundial ao indicar perda média de até 28,3% do peso corporal em adultos com diabetes tipo 2.

O estudo foi publicado na revista científica The Lancet neste sábado, 6, e reforçou dados divulgados pela Eli Lilly, empresa responsável pelo desenvolvimento da substância.

Esse resultado colocou a nova injeção semanal no centro do debate sobre obesidade, diabetes tipo 2 e medicamentos de alta potência.

A perda observada foi considerada próxima à obtida em uma cirurgia bariátrica, embora o produto ainda dependa de estudos finais e aprovação regulatória.

Pesquisa técnica revela como funciona a retatrutida

A retatrutida pertence à mesma família das chamadas canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro.

A substância, porém, atua em três hormônios diferentes ao mesmo tempo, enquanto outros medicamentos agem em um ou dois mecanismos.

Por esse motivo, especialistas descrevem a molécula como uma terapia de tripla ação.

O diferencial está no receptor de glucagon, que pode estimular maior gasto de energia durante o tratamento.

A retatrutida também imita hormônios liberados pelo intestino após as refeições.

Esses hormônios sinalizam saciedade ao cérebro e ajudam o pâncreas a controlar a insulina.

Estudo mostra perda expressiva de peso

No estudo, 930 adultos com diabetes tipo 2 receberam doses semanais da retatrutida ou placebo por até 80 semanas.

Os participantes que usaram a dose mais alta perderam, em média, 28,3% do peso corporal.

Esse resultado foi mais de quatro vezes superior ao observado no grupo placebo.

Mais de 65% desses pacientes deixaram de se enquadrar nos critérios de obesidade pelo IMC.

A queda no nível de açúcar no sangue também foi mais que o dobro da registrada no grupo controle.

Dados indicam efeitos em apneia do sono e osteoartrite

A pesquisa também trouxe resultados sobre apneia do sono e osteoartrite no joelho.

Em pacientes com obesidade, a retatrutida reduziu em 60,6% a gravidade da apneia do sono.

Esse distúrbio interrompe a respiração durante a noite e pode elevar riscos cardíacos.

No caso da osteoartrite no joelho, o medicamento reduziu em até 73,1% a dor associada ao desgaste das articulações.

Esses dados podem embasar futuros pedidos regulatórios para ampliar o uso da substância.

Mercado ilegal acende alerta antes da aprovação

A retatrutida ainda precisa passar por análises adicionais de segurança e revisão formal das agências regulatórias.

Durante a apresentação no congresso da Associação Americana de Diabetes, representantes da Lilly alertaram sobre a circulação ilegal da substância.

No Paraguai, em março deste ano, uma empresa anunciou canetas à base de retatrutida em evento com influenciadores brasileiros.

A Receita Federal afirma que vem apreendendo produtos trazidos ao Brasil por pessoas que cruzam a fronteira.

Agentes da Receita Federal e da Anvisa fazem apreensões diárias em Foz do Iguaçu.

Nos três primeiros meses de 2026, o valor apreendido na fronteira já superou todo o ano de 2025, passando de R$ 11 milhões.

Atualmente, qualquer produto anunciado como retatrutida é ilegal no Brasil e não tem segurança comprovada.

O avanço da retatrutida pode mudar o tratamento da obesidade, mas o risco do mercado paralelo mostra que a pressa pode colocar vidas em perigo. Afinal, vale confiar em uma promessa vendida antes da aprovação oficial?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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