Empresas de navegação substituem caminhões para transporte de cargas no Brasil

troca de caminhões por navios
 

Empresas trocam o transporte de suas cargas de caminhão por navio e geram uma onda de otimismo no setor para 2019

Demorou, mas enfim, as empresas descobriram a navegação de cabotagem (entre portos nacionais) como a alternativa mais econômica ao frete rodoviário, depois da greve dos caminhoneiros que ocasionou o tabelamento do frete e o encarecimento do transporte rodoviário.
Em 2018 foram transportados mais de 1 milhão de contêineres de 20 pés entre os portos ao longo da costa brasileira, segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), isto corresponde a mais de 1 milhão de viagens rodoviárias que deixaram de ser feitas.

Em média, o custo do frete de cabotagem é até 20% menor do que o rodoviário, mas mesmo assim, responde por apenas 11% da movimentação de carga entre todos os meios de transporte.
Segundo o presidente da Abac, Cleber Cordeiro Lucas, “Com a greve (dos caminhoneiros), empresas que já usavam a cabotagem aumentaram os volumes transportados e quem não usava passou a usar”. A greve em maio, foi a principal responsável pelo aumento do uso da cabotagem, que já vinha em expansão nos últimos anos, antes da greve o crescimento era de 13,5% em relação ao ano anterior e depois da greve passou para 15,6% em setembro, segundo a Abac.

Otimismo no setor

A maior empresa de navegação de de cabotagem no País, teve aumento de 28% no volume de cargas do primeiro para o segundo semestre de 2018 e segundo o seu diretor, Marcus Voloch, “Foi o maior crescimento para esse período da história da empresa”, já que o crescimento representou 2 anos em um, visto que se esperava 8% de crescimento para 2018 e o avanço foi de 16%.

Segundo Marcos Tourinho, diretor da Santos Brasil, que opera terminais logísticos, os portos de Vila do Conde (PA) e Imbituba (SC) tiveram recorde de movimentação no ano passado. “Com receio de que a greve se repita, empresas buscaram diversificar o frete e isso nos favoreceu.”

O Norte e Nordeste lideram os envios para o Sul e Sudeste e antes do tabelamento do frete tinham os valores mais baratos, pois como a maioria das fábricas ficam no Sul e Sudeste, os caminhões retornavam vazios, tornando os valores de frete muito baixos. Porém com o tabelamento as empresas do Norte e Nordeste encontraram na cabotagem uma saída mais econômica.

Um exemplo é o da Esmaltec, fabricante de geladeiras e fogões, cuja fábrica fica em Maracanaú, a 24 quilômetros de Fortaleza (CE). A empresa teve, depois do tabelamento, um aumento de 80% do frete e a saída, segundo seu superintendente Aélio Silveira, foi despachar os produtos acabados de navio.
Atualmente, 40% dos eletrodomésticos são escoados desta forma, especialmente para o Sul e Sudeste e a meta da empresa é escoar 50%, lembrando que a empresa nunca tinha usado cabotagem para transportar produto acabado, apenas as matérias-primas. “Com o uso da cabotagem, conseguimos reduzir pela metade o impacto da alta do frete”, diz Silveira.

Enquanto isso o nosso principal modal do transporte de cargas sofre com a falta de investimentos ! Leia nesta matéria !

Renato Oliveira

Sobre Renato Oliveira

Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki) inspecionando e acompanhando técnicas de fabricação e montagem de estruturas/tubulações/outfittings(acabamento avançado) para casco de Drillships