BP quer trazer para o Brasil tecnologia sísmica de sucesso no México

Nova tecnologia sísmica para o Brasil

Impulsionada pelo sucesso das imagens sísmicas que encontraram um bilhão extra de barris de petróleo no Golfo do México, a BP está buscando levar sua mais recente tecnologia para Angola e Brasil.

Um software usado no Golfo, baseado em um algoritmo criado por Xukai Shen, geofísico da Universidade de Stanford, levou a BP (British Petroleum) a descobrir petróleo bruto em uma área onde há muito se pensava que não havia nada a ser encontrado.
Especialistas do setor disseram que a descoberta, 8 km abaixo do campo Thunder Horse da BP, anunciada na semana passada, marcou um grande avanço para a exploração em águas profundas, um negócio caro conhecido por sua baixa taxa de sucesso e alto risco.

É um exemplo de como a tecnologia está ajudando a recuperação em águas profundas depois de uma década, quando a indústria se concentrou em avanços no xisto terrestre.
O novo depósito foi encontrado com o software conhecido como Full Waveform Inversion (FWI), que é executado em um supercomputador e analisa as reverberações das ondas sonoras sísmicas para produzir imagens 3D de alta resolução de antigas camadas de rocha, milhares de metros sob o fundo do mar. ajudando os geólogos a localizarem petróleo e gás.

É mais preciso do que os métodos de levantamento anteriores, disse a BP, e processa os dados em questão de dias, em comparação com outros que levam meses ou anos. O cientista da BP, John Etgen, o principal conselheiro da empresa em imagens sísmicas, disse que pretende manter sua vantagem com uma nova máquina que desenvolveu, a Wolfspar, para ser usada junto com a FWI.
“O Wolfspar, que é um submarino, é arrastado por um navio pelo oceano e emite ondas sonoras de frequência muito baixa, que são particularmente eficazes para a penetração de espessas camadas de sal que ficam acima de rochas que contêm combustíveis fósseis”, acrescentou.

Planos para o Brasil

Etgen disse que a BP planeja lançar o Wolfspar ao lado do FWI no segundo semestre deste ano, no campo de Atlantis, no Golfo do México, onde uma grande camada de sal ainda está oculta parcialmente no local. A empresa planeja expandir o uso da tecnologia para outras grandes bacias de petróleo e gás, incluindo o Brasil no próximo ano e Angola em um estágio posterior, disse ele.

“Ver através de corpos salinos muito complexos e muito distorcidos foi o problema mais difícil que tivemos, o mais desafiador”, disse o cientista de Houston em uma entrevista.
Tanto no Brasil quanto em Angola, os depósitos de petróleo são bloqueados sob grossas camadas de sal. Os campos de petróleo em águas profundas do Brasil compreendem uma das bacias de crescimento mais rápido do mundo em termos de produção.
A BP assinou no ano passado uma parceria com a Petrobras para desenvolver recursos lá.

Achados de petróleo de bilhões de barris são raros, particularmente em bacias maduras como o Golfo do México. Mas a escala de produção dos poços em águas profundas significa que eles podem competir com as bacias mais baratas do mundo, em especial o xisto dos EUA.

A BP está longe de se concentrar sozinha em tecnologia. Todas as grandes empresas de petróleo colocaram uma ênfase crescente na digitalização para reduzir os custos após o colapso do preço do petróleo em 2014.
No entanto, analistas do Barclays disseram em um relatório no ano passado que a BP e a Equinor, da Noruega, tinham a mais avançada implantação de tecnologia entre as principais companhias de petróleo.

A BP diz que sua nova tecnologia sísmica poderia economizar centenas de milhões de dólares em horas de exploração, identificando a localização dos depósitos mais promissores.
“Isso nos permite perfurar os poços corretos á custos mais baixos, perfurar poços na melhor parte do reservatório e perfurar menos poços”, disse Etgen.

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Sobre Renato Oliveira

Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki)