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Arábia Saudita e a NÃO renovação do acordo do Petrodólar: Impactos na Economia Mundial e no Valor do Dólar

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 12/06/2024 às 10:59

A não renovação do acordo do petrodólar pela Arábia Saudita desafia a hegemonia do dólar e reconfigura o mercado de petróleo. Descubra os impactos econômicos e geopolíticos dessa mudança histórica

O dia 9 de junho de 2024 marca um marco histórico nas relações econômicas e geopolíticas entre a Arábia Saudita e os Estados Unidos. O Reino Saudita decidiu não renovar o acordo do petrodólar, uma aliança que foi fundamental para a economia global por quase 50 anos. Essa mudança não só desafia a hegemonia do dólar americano, como também tem o potencial de alterar significativamente o panorama econômico mundial.

Fim de uma Era: O Acordo do Petrodólar

O acordo do petrodólar, assinado em 1974 entre o então secretário de Estado americano Henry Kissinger e o príncipe herdeiro Fahd da Arábia Saudita, estipulava que as exportações de petróleo sauditas seriam pagas exclusivamente em dólares americanos. Este pacto consolidou o dólar como a moeda global predominante no comércio energético e fortaleceu a posição econômica dos Estados Unidos no mundo.

Durante décadas, esta aliança beneficiou ambos os países. Para os Estados Unidos, significava uma demanda constante e global por sua moeda, o que ajudava a manter seu valor e estabilidade. Para a Arábia Saudita, assegurava um fluxo contínuo de dólares que podiam ser reinvestidos na economia global, além de receber apoio militar e econômico de uma superpotência.

Motivos da Decisão Saudita

Desde 2022, a Arábia Saudita começou a mostrar sinais de uma mudança estratégica, permitindo que a China, um de seus principais compradores de petróleo, pagasse em yuans em vez de dólares. Esta decisão refletia não só uma reavaliação das relações internacionais do Reino, mas também uma resposta à crescente influência econômica da China e à necessidade de diversificação econômica da Arábia Saudita sob o plano Visão 2030 do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman(Eurasia Review)  (KSAexpats.com).

As tensões políticas entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita também desempenharam um papel crucial. As críticas dos Estados Unidos à gestão de direitos humanos na Arábia Saudita e a falta de apoio em conflitos regionais como a guerra no Iêmen deterioraram a confiança mútua (Eurasia Review)  (UNCTAD Investment Policy Hub).

Impacto na Economia Mundial e o preço del Dólar

A decisão da Arábia Saudita de não renovar o acordo do petrodólar tem profundas implicações econômicas. Ao se abrir à possibilidade de comercializar petróleo em outras divisas como o yuan, o euro, o iene e outras, a Arábia Saudita enfraquece a demanda global por dólares americanos. Isso pode levar a uma desvalorização do dólar, afetando seu valor e a estabilidade econômica dos Estados Unidos.

Desdolarização

A não renovação do acordo pode acelerar um processo já em andamento de desdolarização. Países como a Rússia e a China têm promovido o uso de suas próprias moedas no comércio internacional para reduzir a dependência do dólar. A inclusão da Arábia Saudita neste movimento pode dar um impulso significativo a esses esforços e fomentar a criação de um sistema financeiro multipolar【6†source】.

Mercados Energéticos

O comércio de petróleo em múltiplas divisas pode levar a uma maior volatilidade nos mercados energéticos. As flutuações nas taxas de câmbio podem influenciar os preços do petróleo, afetando tanto produtores quanto consumidores. Além disso, países que dependem do petróleo saudita podem ser obrigados a ajustar suas reservas monetárias e estratégias de investimento para se adaptar a esta nova realidade.

Relações Geopolíticas

A mudança na política de comércio de petróleo da Arábia Saudita também pode redefinir as alianças geopolíticas. Com uma maior cooperação econômica com a China e possivelmente outros países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a Arábia Saudita pode encontrar novos parceiros estratégicos que lhe proporcionem um contrapeso à influência dos Estados Unidos na região.

Consequências para os Estados Unidos e o Dólar

Para os Estados Unidos, a não renovação do acordo do petrodólar representa um desafio significativo. A perda da exclusividade no comércio de petróleo em dólares pode reduzir a demanda global por sua moeda, afetando seu valor e capacidade para financiar sua dívida externa. Além disso, pode levar a uma reavaliação de sua estratégia de política externa e econômica.

Valor do Dólar

A diminuição da demanda global por dólares pode levar a uma desvalorização da moeda. Isso afetaria as importações americanas, encarecendo-as e potencializando a inflação interna. Ao mesmo tempo, uma moeda mais fraca poderia beneficiar as exportações americanas, tornando-as mais competitivas no mercado internacional.

Política Monetária

O Federal Reserve dos Estados Unidos poderia ser obrigado a ajustar sua política monetária para contrabalançar os efeitos da diminuição da demanda por dólares. Isso poderia incluir aumentos nas taxas de juros para atrair investimentos estrangeiros e estabilizar a moeda, o que teria implicações para o crescimento econômico e o emprego nos Estados Unidos (Eurasia Review)  (Arab News).

O fim de uma era e o início de um novo capítulo na economia global

A decisão da Arábia Saudita de não renovar o acordo do petrodólar com os Estados Unidos marca o fim de uma era e o início de um novo capítulo na economia global. Esta mudança tem o potencial de redefinir o comércio energético, desestabilizar o valor do dólar e alterar as relações geopolíticas em todo o mundo. À medida que os mercados e os governos se adaptam a esta nova realidade, o impacto desta decisão será sentido em todos os cantos do globo.

Em resumo, a não renovação do acordo do petrodólar por parte da Arábia Saudita não só desafia a hegemonia do dólar americano, como também abre a porta para uma maior diversificação no comércio global de petróleo, com profundas implicações para a economia mundial e a política internacional.

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Noel Budeguer

De nacionalidade argentina, sou redator de notícias e especialista na área. Abordo temas como ciência, petróleo, gás, tecnologia, indústria automotiva, energias renováveis e todas as tendências no mercado de trabalho.

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