A cabotagem como instrumento de desenvolvimento do Brasil

modal marítimo
 

A navegação de cabotagem, aquela realizada ao longo da costa entre portos de um mesmo país, ganhou uma nova relevância depois da greve dos caminhoneiros, que aconteceu no final de maio em todo o País.

Nos últimos 10 anos esse modal cresceu uma média de 12 % ao ano no Brasil segundo a ABAC (Associação Brasileira dos armadores de cabotagem), e destaca ainda seu presidente, Cléber Cordeiro Lucas, que as consultas cresceram muito esse ano, “as empresas perceberam que não podem ficar a mercê de apenas um modal e que não devem ficar reféns do tão frágil transporte rodoviário”. O transporte rodoviário, por sinal, responde hoje por 2/3 do nosso modal, resultado de anos e anos de incentivo a construção de rodovias, muito por conta dos constantes financiamentos americanos para a construção de estradas a partir de 1920, visto que se tornou o maior exportador de automóveis do mundo. Tudo isso inibiu o desenvolvimento de outo modal, bem como, levou à falência o modal ferroviário por falta de investimentos.

A cabotagem e uma politica por parte do governo

Porém, como em todas as áreas da indústria, o modal marítimo necessita de uma politica voltada para o setor por possuir uma competição desigual com o transporte rodoviário. Segundo especialistas o não desenvolvimento da cabotagem no Brasil esbarra na diferença do preço do combustível que embora a lei da navegação preveja a equiparação dos preços com a navegação de longo curso, isso não acontece, pois para a cabotagem o preço do bunker (óleo combustível) é 30% maior devido não possuir a isenção de ICMS por não se tratar de exportação.

Muitos são os motivos para um esforço do governo em implantar uma politica publica voltada para o setor o que a tornaria mais barata, competitiva e mais atrativa. Podemos citar a segurança, é publico, notório e alarmante o crescimento do roubo de cargas em nossas estradas e porque não dizer a própria segurança humana já que acidentes seriam bem menos comuns.

Outro motivo é a queda dos níveis de poluição, pois a diminuição de emissão de monóxido de carbono é acentuada. E por fim a recuperação de nossa tão combalida construção naval pois 60% dos navios em atuação hoje em nossa cabotagem tem mais de 20 anos de vida e seria necessário a construção de muitas encomendas de navios para suprir essa demanda.

A navegação de cabotagem responde hoje na Comunidade Europeia por 37% da matriz de transportes, na China por 48% e apenas 12,5% em nosso país, levando se em conta o tamanho da costa brasileira navegável (cerca de 8500 Km) e de sua malha hidrográfica (cerca de 40.000 Km de vias navegáveis) nossos números são insignificantes, assim esperamos que uma nova politica voltada para o setor não tenha esse mesmo adjetivo.

Não podemos deixar de correlacionar o aumento da cabotagem com a eficiência de nossos portos que precisariam de uma melhora significativa em sua produtividade já que seria por onde toda a produção escoaria, não há como fazer uma omelete sem quebrar os ovos, então uma melhora dos dois segmentos seria muito bem vinda para o país.

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Renato Oliveira

Renato Oliveira

Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki) inspecionando e acompanhando técnicas de fabricação e montagem de estruturas/tubulações/outfittings(acabamento avançado) para casco de Drillships